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26 de mar de 2009

Descrição e Persuasão

A verossimilhança (semelhança com a verdade ou realidade) muitas vezes é utilizada como recurso de persuasão. Uma descrição rica em detalhes, nomes completos, idades e cenários, ainda que inventados, cria a impressão de realidade, auxiliando no convencimento em favor de alguma causa. Busca-se provocar a sensibilidade do interlocutor a fim de se conseguir dele a adesão à determinada forma de pensar e, quem sabe, agir. Filmes, romances, novelas, seriados, propagandas e matérias jornalísticas tendem a usar desse recurso.

Não por esse motivo devamos abraçar "teorias de conspiração", mas ficar atentos à forma como são utilizadas certas "imagens" não deixa de ser demonstração de certo grau de prudência.

Há boas causas sofrendo "apropriação" por parte de determinados grupos com interesses outros que não exatamente estas. Produz-se um discurso imagético, sensível, com rica plasticidade, apontando, entretanto, para uma solução que envolve frequentemente a vantagem financeira ou simbólica desses mesmos grupos. Constroem-se, assim, muitas propagandas institucionais e governamentais. Fortalecem-se imagens, consolidam-se poderes. Tudo por meio do discurso.

O texto a seguir certamente defende um ponto de vista difícil de se contrariar, no entanto forjado dentro dos parâmetros já expostos. Leia-o e procure identificar os elementos discursivos voltados à persuasão.

Questão de Poesia ou Saúde Pública?

Seus olhos eram cegos aos primeiros raios de luz. No entanto, as pupilas, no movimento involuntário que lhes é próprio, voltavam-se para onde algum som se produzia. Os ouvidos, esses sim eram bem lúcidos, atentos a tudo.

Fechavam-se as pálpebras e o choro vinha copioso, assim como o som forte e estridente provocado pelos pulmões novos e potentes, que invadidos pelo ar desconhecido, expeliam pranto, tosse e ruído. As bocas ao redor sorriam, de alguns olhos também vinham lágrimas, discretas, silenciosas, como são as lágrimas já exercitadas pela vida. Mas era da menina o direito ao berro, de seus poucos cabelos ainda úmidos, o direito ao afago comovido da parteira.

A água fresca tirada da cisterna brilhava nas pequenas ondas quanto tocadas pela luz que sobrava entre as franjas da cortina. O efeito concedia algum colorido à casa de barro e chão batido. As ondas quem fazia era a mão de nhá Benedita a revezar entre o rosto do rebento e a indiferente bacia de lata. Afinal onde estava a mãe?

Perdidos, seus olhos denunciavam-lhe a ausência, sua energia fora consumida à exaustão. A criança esperada ali chegara, a mãe, estando em corpo, lá já não se via. Já não era.

A morte às vezes larga a mão da vida para encontrá-la mais à frente. E isso é tão frequente, tão diário, que, quando ela não larga, há um grande assombro, espanto.

E se tal não se desse tanto pela vontade da morte de puxar para si a vida quanto pela negligência de vivos em deixar agir tão livre a morte?

Lamentável é saber que a vida de Maria das Graças da Costa, de 27 anos, poderia ter sido poupada caso o sistema público de saúde atendesse condignamente aqueles que moram em regiões mais afastadas dos centros urbanos. Não houve para ela acompanhamento pré-natal ou escolha na hora do parto. Seu futuro estava traçado pelas leis do determinismo provocado pelas circunstâncias que vigoram entre aqueles que, como ela, vivem à parte dos interesses dos detentores de cargos públicos com poder suficiente para alterar esse tipo de realidade.

A história de Maria das Graças poderia ser um trecho poético da boa ficção brasileira de autores dos séculos XIX e XX, porém, infelizmente, no século atual, quem tem a medida do tempo para que isso acabe está longe de ter filhos vindo ao mundo pelas mãos da boa vontade de nhá Benedita.

(O texto acima foi criado com finalidade didática para aulas de I.P.T., nenhuma personagem é real.)

Prof. Leo

Leia o texto de Stephen Kanitz sobre Agenda Oculta.

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