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9 de ago de 2011

Modernismo Português


Contexto Histórico e Literário:

- Portugal (Início do séc. XX)

- Monarquia retrógrada

- Descompasso com a política de seu tempo, com a industrialização e com o capitalismo

- Insatisfação popular

-1908 – Morte do rei D. Carlos e do príncipe Luís Felipe

- 1910 – Queda do D. Manuel II – Instauração da República

- 1914 – Influência do Fascismo italiano

- 1914 – 1a Guerra Mundial

- 1915 – Lançamento da Revista Orpheu (Marco do Modernismo em Portugal) – Mário de Sá Carneiro, Fernando Pessoa (Álvaro de Campos), Almada Negreiros, Luís de Montalvor e Ronald de Carvalho (brasileiro)



Ode Triunfal


À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica

Tenho febre e escrevo.

Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,

Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.



Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!

Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!

Em fúria fora e dentro de mim,

Por todos os meus nervos dissecados fora,

Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!

Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,

De vos ouvir demasiadamente de perto,

E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso

De expressão de todas as minhas sensações,

Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!



Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical -

Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força -

Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,

Porque o presente é todo o passado e todo o futuro

E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas

Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,

E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,

Átomos que hão-de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem,

Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes,

Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,

Fazendo-me um acesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.



Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!

Ser completo como uma máquina!

Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!

Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,

Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento

A todos os perfumes de óleos e calores e carvões

Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!



Fraternidade com todas as dinâmicas!

Promíscua fúria de ser parte-agente

Do rodar férreo e cosmopolita

Dos comboios estrénuos,

Da faina transportadora-de-cargas dos navios,

Do giro lúbrico e lento dos guindastes,

Do tumulto disciplinado das fábricas,

E do quase-silêncio ciciante e monótono das correias de transmissão!

(...)

Eh-lá grandes desastres de comboios!

Eh-lá desabamentos de galerias de minas!

Eh-lá naufrágios deliciosos dos grandes transatlânticos!

Eh-lá-hô revoluções aqui, ali, acolá,

Alterações de constituições, guerras, tratados, invasões,

Ruído, injustiças, violências, e talvez para breve o fim,

A grande invasão dos bárbaros amarelos pela Europa,

E outro Sol no novo Horizonte!

(...)

Eia! eia! eia!

Eia electricidade, nervos doentes da Matéria!

Eia telegrafia-sem-fios, simpatia metálica do Inconsciente!

Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel, Suez!

Eia todo o passado dentro do presente!

Eia todo o futuro já dentro de nós! eia!

Eia! eia! eia!

Frutos de ferro e útil da árvore-fábrica cosmopolita!

Eia! eia! eia! eia-hô-ô-ô!

Nem sei que existo para dentro. Giro, rodeio, engenho-me.

Engatam-me em todos os comboios.

Içam-me em todos os cais.

Giro dentro das hélices de todos os navios.

Eia! eia-hô! eia!

Eia! sou o calor mecânico e a electricidade!



Eia! e os rails e as casas de máquinas e a Europa!

Eia e hurrah por mim-tudo e tudo, máquinas a trabalhar, eia!



Galgar com tudo por cima de tudo! Hup-lá!



Hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô, hup-lá!

Hé-la! He-hô! H-o-o-o-o!

Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z!



Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!





- Geração Orpheu (1915 a 1927)



- Surgimento de outras revistas : Centauro (1916); Portugal Futurista (1917)

- Propósitos:

Escandalizar e Agitar Culturalmente

Praticar a crítica ao passado e à tradição

(Nítida influência Futurista)

- 1918 – Fim da 1a Guerra

- 1926 – Estado Novo de Antônio Salazar

- 1927 – Publicação da Revista Presença (Folha de Arte e Crítica)


- Geração Presença (1927 a 1940)



- É fundada por um grupo de estudantes em Coimbra

- Dá continuidade às propostas da Geração Orpheu, mas de maneira mais moderada

- Preocupações mais universalistas

- Concentra-se nas análises psicológicas



- Neorrealismo (1939) - Não faz parte do Modernismo


- Publicação de Gaibéus, de Alves Redol

- Literatura engajada

- Denúncias sociais

- Antifascismo e Antinazismo

- Influência do romance norte-americano contemporâneo e pela literatura brasileira nordestina

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POESIA MODERNISTA

Fernando Pessoa


- 1888 - Lisboa

- 1891 – órfão de pai

- Mãe casa-se com cônsul português, mudam-se para África do Sul

- Conclui o Ensino Médio na África do Sul e volta para Portugal (1905)

- Começa a cursar Letras na Universidade de Lisboa (abandona o curso)

- Passa a trabalhar como correspondente comercial e tradutor

- 1912 – Toma parte nos movimentos literários e colaborar com a revista Águia

- 1914 – Surgimento dos principais heterônimos: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis


- Poemas Heterônimos e Ortônimos

- 1915 – Participa da fundação da revista Orpheu

- Estuda astrologia, esoterismo, ocultismo, psicanálise

- Define-se como “histeroneurastênico” (feminino na forma de sentir e masculino na forma de pensar)

- Publica um único livro (ortonímico): “Mensagem” - 1934

- Sua obra está dispersa em jornais, revistas e cartas

- 1935 - Morre


Heterônimos:


Alberto Caeiro: (Recomenda-se a leitura do poema "Menino Jesus")

- (1889 – 1915)

- “Mestre”

- Filósofo, crê que o ser humano complicou a vida com a metafísica das religiões

- Defende a simplicidade da vida e o contato com os sentidos e sensações (o pensamento)

- Identificação entre o ato de pensar e o de sentir

- A divindade está na própria existência das coisas

- Linguagem coloquial


Guardador de Rebanhos

I

Eu nunca guardei rebanhos,

Mas é como se os guardasse.

Minha alma é como um pastor,

Conhece o vento e o sol

E anda pela mão das Estações

A seguir e a olhar.

Toda a paz da Natureza sem gente

Vem sentar-se a meu lado.

Mas eu fico triste como um pôr do Sol

Para a nossa imaginação,

Quando esfria no fundo da planície

É se sente a noite entrada

Como uma borboleta pela janela.

Mas a minha tristeza é sossego

Porque é natural e justa

E é o que deve estar na alma

Quando já pensa que existe

E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

Como um ruído de chocalhos

Para além da curva da estrada,

Os meus pensamentos são contentes.

Só tenho pena de saber que eles são contentes,

Porque, se o não soubesse,

Em vez de serem contentes e tristes,

Seriam alegres e contentes.

Pensar incomoda como andar à chuva

Quando o vento cresce e parece que chove mais.

Não tenho ambições nem desejos

Ser poeta não é uma ambição minha

É a minha maneira de estar sozinho.

E se desejo às vezes

Por imaginar, ser cordeirinho

(Ou ser o rebanho todo

Para andar espalhado por toda a encosta

A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),

É só porque sinto o que escrevo ao pôr do Sol,

Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz

E corre um silêncio pela erva fora.

Quando me sento a escrever versos

Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,

Escrevo versos num papel que está no meu pensamento (...)

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(Trechos)

“Mesmo que meus versos nunca sejam impressos,

Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.

Mas eles não podem ser belos e ficar por imprimir,

Porque as raízes podem estar debaixo da terra

Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.

Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir.”





Ricardo Reis : (Recomenda-se a leitura do poema "Lídia")


(1887 - ?)


- Representa o mundo clássico (índole pagã)

- Monarquista

- Semi-Helenista

- Educado em colégio de jesuítas, formou-se médico

- Expatriou-se para o Brasil (1919)

- Valoriza a vida campestre e a simplicidade das coisas

- Deixa de lado a emoção / Desconfia da felicidade extrema

- Referência Horaciana

- Preocupação com a métrica e a linguagem (latinizante)

- Angústia diante da efemeridade da vida

- Defesa da “Apatia” e da “Ataraxia”

- Harmonia em Estoicismo e Epicurismo


Flores



Flores que colho, ou deixo,

Vosso destino é o mesmo.



Via que sigo, chegas

Não sei aonde eu chego.



Nada somos que valha,

Somo-lo mais que em vão.





Aguardo



Aguardo, equânime, o que não conheço —

Meu futuro e o de tudo.



No fim tudo será silêncio, salvo

Onde o mar banhar nada.



Aqui, dizeis

Aqui, dizeis, na cova a que me abeiro,

Não 'stá quem eu amei. Olhar nem riso

Se escondem nesta leira.



Ah, mas olhos e boca aqui se escondem!

Mãos apertei, não alma, e aqui jazem.



Homem, um corpo choro!

Aqui





Álvaro de Campos: Poema em linha reta



- (1890 - 1935)

- Influenciado pelo Futurismo

- Poeta do “Não”

- Vanguardista e cosmopolita, cético

- Estilo torrencial, amplo, agressivo

- "Nasceu em Tavira, teve uma educação vulgar de Liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Agora está aqui em Lisboa em inactividade."


Todas as Cartas de Amor são Ridículas



Todas as cartas de amor são

Ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem

Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,

Como as outras,

Ridículas.



As cartas de amor, se há amor,

Têm de ser

Ridículas.



Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram

Cartas de amor

É que são

Ridículas.



Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso

Cartas de amor

Ridículas.



A verdade é que hoje

As minhas memórias

Dessas cartas de amor

É que são

Ridículas.



(Todas as palavras esdrúxulas,

Como os sentimentos esdrúxulos,

São naturalmente

Ridículas.)





Tabacaria



Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.



Janelas do meu quarto,

Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é

(E se soubessem quem é, o que saberiam?),

Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,

Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,

Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,

Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,

Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,

Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

(...)





Fernando Pessoa – ele mesmo: (Recomenda-se a leitura de "Menino de sua mãe")



ULISSES



O mito é o nada que é tudo.

O mesmo sol que abre os céus

É um mito brilhante e mudo -

O corpo morto de Deus,

Vivo e desnudo.



Este, que aqui aportou,

Foi por não ser existindo.

Sem existir nos bastou.

Por não ter vindo foi vindo

E nos criou.



Assim a lenda se escorre

A entrar na realidade,

E a fecundá-la decorre.

Em baixo, a vida, metade

De nada, morre.





O INFANTE



Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.

Deus quis que a terra fosse toda uma,

Que o mar unisse, já não separasse.

Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,



E a orla branca foi de ilha em continente,

Clareou, correndo, até ao fim do mundo,

E viu-se a terra inteira, de repente,

Surgir, redonda, do azul profundo.



Quem te sagrou criou-te portuguez..

Do mar e nós em ti nos deu sinal.

Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.

Senhor, falta cumprir-se Portugal!







MAR PORTUGUÊS



Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!



Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.

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