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PROPOSTAS E MODELOS PARA ENEM

TODAS AS PROPOSTAS E MODELOS RELACIONADOS NESTA POSTAGEM SÃO DO AUTOR DO BLOG E NÃO PODEM SER COMERCIALIZADOS EM MATERIAL DIDÁTICO VIRTUAL ...

4 de nov. de 2019

TEMA ENEM 2019: MODELO - DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO AO CINEMA NO BRASIL

Cinema em Transe

No clássico filme brasileiro "Tapete Vermelho", uma homenagem à imortal obra cinematográfica de Mazzaropi, o personagem principal, um estereótipo de Jeca, esforça-se em uma longa viagem para levar o filho a um cinema para conhecer os grandes filmes de sua época. Apesar disso, é cada vez mais frustrado, encontrando as salas todas fechadas, abandonadas ou alugadas a igrejas neo-pentecostais. Essa obra, embora cômica e ficcional, denuncia uma realidade bastante preocupante no Brasil: a precarização do acesso aos espaços voltados à chamada sétima arte.

Ainda que pesem argumentos em defesa de que as plataformas digitais de filmes, como Netflix e outras, e mesmo a televisão, já desempenhem um papel equivalente ao do cinema, ao democratizar o acesso a produtos culturais diversos como animações, séries nacionais e estrangeiras, é forçoso lembrar que o cinema, assim como o teatro, consiste em uma cultura além da mera apresentação de enredos, sendo, em verdade, evento e prática cultural, além de poderoso agregador econômico.

Desse modo, as salas de exposição funcionam como templos destinados a reunir pessoas, de maneira a fazê-las compartilhar de instantes de entretenimento, mas também de diálogo crítico em função da abertura que filmes e documentários fornecem à percepção mais ampla de mundo. Assim, um filme comovente como "Central do Brasil" e um documentário como "O dia que durou 21 anos" - sobre os anos de chumbo da ditadura militar - podem fornecer ao espectador uma nova e enriquecedora forma de entender as mazelas, a história e sua própria identidade como brasileiro.

É imprescindível, portanto, que a cultura do cinema chegue aos mais remotos cantos do país e seja reavivada nas pequenas cidades onde já existiu. Para tanto, o Ministério e as secretarias municipais de cultura devem investir na construção de salas e centros culturais, fomentando eventos com filmes, peças e discussões sobre as mais diversas temáticas abordadas nessa área. Somado a isso, a Ancine, contando com maiores investimentos, pode incentivar a produção cinematográfica nacional já tão aclamada mundialmente. Por fim, nas escolas, o cinema e sua história podem ser estudados nas aulas de Artes de modo a que se possa tecer um belo tapete vermelho para o futuro da cultura e das grandes telas no Brasil.

10 de abr. de 2019

2019 MODELO ENEM: MORADIA

MODELO PARA PROPOSTA DO SIMULADO DO POLIEDRO


“O primeiro que, ao cercar um terreno, teve a audácia de dizer - Isto é meu! - e encontrou gente simples o bastante para acreditar nele foi o verdadeiro fundador da sociedade civil.” Com essas palavras, o renomado filósofo iluminista Rousseau, já no século XVIII, problematizou a invenção da propriedade e relacionou-a à inconteste desigualdade social predominante entre os seres humanos. Infelizmente, na contemporaneidade, não se pode afirmar que ele estivesse errado. Aliás, no Brasil, por exemplo, a relação entre desigualdade social e índice de miserabilidade está associada tanto à falta como à precariedade em condições de habitação.

Justamente por conta dessa problemática, embora sejam questionadas certas práticas e legitimidade desses grupos, é que parte da sociedade civil organizou-se em movimentos como o dos Sem Terra e dos Sem Teto, respectivamente nos contextos rural e urbano. O primeiro, reivindicando a posse de propriedades rurais não produtivas, concomitantemente para habitação e usufruto de subsistência, enquanto, no segundo caso, reivindica-se, principalmente em grandes conurbações, acesso a imóveis desabitados e abandonados, com localização e infraestrutura para serem disponibilizados como habitações populares baratas.

Em uma terceira via, como política governamental, por mais de uma década, popularizou-se o programa “Minha Casa, Minha Vida”, que ao mesmo tempo entregou milhares de casas e fez parte de esquemas de corrupção que inviabilizaram a entrega de tantas outras. Assim, percebe-se a complexidade da questão, seja na esfera de Política de Estado como nos movimentos sociais, em que há conflitos com a legislação, como no caso do direito alheio à propriedade e a manipulação desses movimentos por conta de líderes demagogos. Não fosse o bastante, no cerne da questão, encontra-se o problema econômico e a má distribuição de renda.

Sendo assim, é preciso que políticas como o “Minha Casa, Minha Vida” sejam ampliadas, porém auditadas e fiscalizadas, enquanto as reivindicações dos movimentos sociais em questão sejam também analisadas, fiscalizadas e atendidas dentro de sua legitimidade. Vale lembrar que situações semelhantes foram vividas na Europa Ocidental do pós-guerra, de modo que a habitação com infraestrutura básica e digna já se tornou realidade nesses países. Para tanto, é importante a mobilização do Ministério das Cidades, das secretarias municipais de planejamento e obras e do esforço governamental para inclusão máxima de sua população em atividades econômicas dignas.

25 de mar. de 2019

MODELOS ENEM: FEMINICÍDIO


MODELO DE ESTILO ENEM: FEMINICÍDIO

TEMA: “Transformar em crime hediondo reduzirá os números de homicídio contra mulher ou estamos diante de mais uma lei simbólica, eleitoreira e populista?”



Até a demagogia é um avanço

Milhares de mulheres fizeram fila para denunciar seus abusadores quando, na década de 1980, no Rio de Janeiro e em São Paulo, abriram-se as portas das primeiras delegacias da mulher. Com base na então recém-criada Constituição Cidadã, essas herdeiras históricas dos aspectos mais terríveis do machismo, estimuladas pela mídia - que assumira com engajamento a pauta do empoderamento feminino - encontraram, infelizmente, uma de suas grandes derrotas morais logo no primeiro momento em que uma lei parecia favorecê-las de fato. Isso porque a legislação que facilitava a denúncia não promovia real proteção à mulher nem tampouco a punição ao agressor.

Desse modo, a criação de delegacia especializada, contrariamente ao que se alardeara pelo governo e pela imprensa, só serviu de início para atiçar a ira de agressores contumazes que, uma vez delatados, reiteraram espancamentos ou até mataram suas vítimas. Os boletins de ocorrência, assim, não tinham efeito inibidor, nem as ordens de prisão tinham poder coercitivo sobre o comportamento desses homens. A dura lição foi aprendida: o que a pena escreve nada vale diante de uma realidade complexa e violenta. 

Contudo, apesar do despreparo governamental, midiático ou da pura e simples demagogia desses mesmos setores da sociedade, a discussão ganhou espaço. Assim, foi exatamente por conta desse arcabouço de erros e acertos que já é possível contar com a Lei Maria da Penha e do Feminicídio. Não obstante, convém ressaltar que a mera letra não resolve, e a lição de outrora não pode ser esquecida. Naturalmente, quando governantes votam em favor de uma legislação como essa, o ato com frequência reverte-se em capital eleitoral, ou seja, votos. É ainda válido recordar que o discurso populista prima por se apoderar de anseios coletivos, mas que, sobretudo, quando a pauta ganha força na imprensa, a discussão é fomentada de modo a facilitar a pressão de movimentos sociais e conscientização da sociedade a respeito do tema.

Portanto, o momento atual, no qual a presente lei entra em vigor, revela-se como importante oportunidade para que temas como violência doméstica, a controversa cultura do estupro, comportamentos, costumes e valores que regem a sociedade em seus mais variados âmbitos sejam discutidos. Para tanto, é imprescindível haver a mobilização dos meios de comunicação, da sociedade civil organizada, das universidades, escolas, hospitais, delegacias e da jurisprudência, de preferência orquestrados por seus ministérios e secretarias, a fim de que os instrumentos tanto de prevenção como de aplicação da lei se consolidem em favor de quem realmente precisa: a mulher.











MODELO ESTILO ENEM: COMBATE AO FEMINICÍDIO


Redenção de Eva

Em nossa cultura de matriz judaico-cristã, é comum testemunharmos comportamentos machistas que se assentam simbolicamente sobre o princípio do que se convencionou chamar Estigma de Eva. Isso porque, conforme interpretação ainda não superada do mito bíblico, assim como Eva, a mulher costuma adquirir socialmente papel subalterno ao do homem, tendo sua existência associada à necessidade de autossacrifício e resiliência frente à dor. Eva, nesse sentido, foi criada para amainar a angústia de Adão – ou seja, servi-lo -, devendo mais tarde pagar com as dores do parto sua falta com Deus e com o companheiro.

Infelizmente, essa analogia está muito longe de ser superada, mesmo porque hoje se sabe que, no Brasil, os maiores índices de mulheres resilientes à violência doméstica – algo diretamente relacionado a feminicídio – constatam nesse perfil a preponderância de mulheres evangélicas que, ao recorrer à orientação de seus pastores frente a atos violentos de seus maridos, são desencorajadas a denunciar os cônjuges como também a se separarem deles. São, lamentavelmente, exortadas à abnegação em nome de uma recompensa futura, o que somente serve para perpetuar o comportamento criminoso de seus companheiros tanto em casa como na própria cultura que permeia nossa sociedade.

Contudo, esse mal não está presente apenas nos meios sob influência religiosa. De modo geral, também conforme recentes dados do Ipea, existe uma tendência do brasileiro, até entre mulheres, de culpabilizar vítimas de estupro e tolerar violências simbólicas contra pessoas do sexo feminino. Não menos preocupante é o fato de que, até mesmo entre governantes, classe supostamente mais esclarecida, há resistência ao uso do termo feminicídio e à lei que instituí crime hediondo nos casos em que se constata que a vítima foi morta basicamente pelo fato de ser mulher.

Por esse motivo, ainda é urgente que o tema ganhe ampla discussão na mídia, nas escolas, nos hospitais, nas forças policiais e nos ambientes jurídicos, a fim de que a perspectiva da mulher como vítima da violência seja contemplada e atendida de forma ao mesmo tempo preventiva e concreta para que haja real punição de seus agressores. Para tanto, é essencial os esforços dos ministérios e secretarias que tratam da questão da mulher e dos direitos humanos, da saúde e da segurança pública. É importante ainda haver a mobilização do governo em campanhas nacionais de informação e sensibilização da sociedade, a fim de que as milhões de Evas encontrem seu direito humano à real redenção.


19 de mar. de 2019

PROPOSTAS - FEMINICÍDIO: ARTIGO DE OPINIÃO, DISSERTAÇÃO E TEXTO INTERPRETATIVO


TEMA: FEMINICÍDIO

Texto 1 



https://www.humorpolitico.com.br/tag/ante-sala-do-feminicidio/


Texto 2


A imagem pode conter: texto




Texto 3

Entrou em vigor hoje a lei 13.104/15. A nova lei alterou o código penal para incluir mais uma modalidade de homicídio qualificado, o feminicídio: quando crime for praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino.
O § 2º-A foi acrescentado como norma explicativa do termo "razões da condição de sexo feminino", esclarecendo que ocorrerá em duas hipóteses: a) violência doméstica e familiar; b) menosprezo ou discriminação à condição de mulher; A lei acrescentou ainda o § 7º ao art. 121 do CP estabelecendo causas de aumento de pena para o crime de feminicídio.
A pena será aumentada de 1/3 até a metade se for praticado: a) durante a gravidez ou nos 3 meses posteriores ao parto; b) contra pessoa menor de 14 anos, maior de 60 anos ou com deficiência; c) na presença de ascendente ou descendente da vítima.
Por fim, a lei alterou o art. 1º da Lei 8072/90 (Lei de crimes hediondos) para incluir a alteração, deixando claro que o feminicídio é nova modalidade de homicídio qualificado, entrando, portanto, no rol dos crimes hediondos.
De acordo com o Instituto Avante Brasil (www.institutoavantebrasil.com.br) uma mulher morre a cada hora no Brasil. Quase metade desses homicídios são dolosos praticados em violência doméstica ou familiar através do uso de armas de fogo. 34% são por instrumentos perfuro-cortantes (facas, por exemplo), 7% por asfixia decorrente de estrangulamento, representando os meios mais comuns nesse tipo ocorrência.
O debate que se inicia agora é: transformar em crime hediondo reduzirá os números de homicídio contra mulher ou estamos diante de mais uma lei simbólica, eleitoreira e populista?



PROPOSTA 1

Produza um TEXTO INTERPRETATIVO para o Texto 2 (busca no Google). Acrescente à sua interpretação em que estaria implícita a ironia do texto. Utilize entre 8 e 12 linhas.

PROPOSTA 2

Produza uma dissertação-argumentativa cujo título seja o dizer encontrado na charge identificada como Texto 1. Seu texto deve ser escrito como um Artigo de Opinião entre 20 e 30 linhas.

PROPOSTA 3

Escreva uma dissertação-argumentativa propositiva na qual você procure responder à questão destacada no último parágrafo do Texto 3. Utilize entre 20 e 30 linhas. Em hipótese alguma mencione o texto de apoio.

12 de mar. de 2019

MODELO ENEM 2019 - PATRIOTISMO


Patriotismo: entre adestramento e afeto genuíno


Infelizmente, ao longo dos séculos, o sentimento autêntico de amor e identificação em conjunto com uma língua, cultura, costumes e coletividade, ou seja, o patriotismo, foi com grande frequência maculado e distorcido em favor de governos e demagogos até perigosos, que entraram para História ao prejudicarem tanto suas próprias nações como outras. Assim, falseando interesses nacionais, promoveram em alguns casos genocídios como os ocorridos entre povos africanos, ameríndios, armênios, ciganos e judeus, principalmente durante a época do colonialismo europeu e obviamente com o Fascismo e o Nazismo em meados do século XX.

Exatamente por esse motivo, tornou-se importante na contemporaneidade fazer a distinção semântica entre termos como patriotismo, nacionalismo e ultranacionalismo. Nesta última década, por exemplo, devido a questões geopolíticas, em países como Hungria, Grécia, França e Inglaterra, assim como nos EUA da era Trump, foi possível testemunhar o fortalecimento de discursos ultranacionalistas, amparados em ideais pseudopatrióticos, que estimulam segregacionismo, xenofobia e violência, de modo a contrariar valores humanitários anteriormente defendidos entre esses mesmos povos. No Brasil, recentemente, em grau menos exacerbado, identificou-se também erroneamente a ideia de intervenção e ditadura militar como atos salvacionistas e patrióticos.

Em contrapartida, é forçoso recordar que foi graças a movimentos de identidade nacional no século XIX que ocorreu a chamada Primavera dos Povos, dando surgimento a centenas de países, antes explorados por suas metrópoles. Foi também com o sentimento patriótico desvinculado de governos e projetos de poder, que países como a Holanda, a França, a Coreia do Sul e o Japão, mobilizaram suas populações para fortalecerem-se nas ações de solidariedade, civismo, reforma educacional e até autoestima, a fim de conquistarem objetivos comuns de reconstrução de seus países pós-guerra e em favor do desenvolvimento humano e tecnológico nacional.

Portanto, é lícito afirmar que o Brasil pode ser muito beneficiado pelo desenvolvimento do sentimento patriótico entre seus cidadãos, não como nos moldes ufanistas do período militar, mas com vínculo afetivo genuíno de solidariedade, amor e esforço em benefício da coletividade. Isso só será possível, no entanto, com o empenho do Ministério da Cultura, promovendo eventos que ressaltem os aspectos multiculturais do país, e com o Ministério da Educação, fortalecendo os currículos de História do Brasil, Sociologia e Filosofia, de modo que mais do que cantar o hino nacional, os brasileiros se comprometam em se respeitarem entre si, respeitarem o espaço público e desejarem o bem comum.

PROPOSTAS 2019 - ENEM, ARTIGO DE OPINIÃO, RESPOSTA ARGUMENTATIVA



PROPOSTAS DE REDAÇÃO





TEMA: PATRIOTISMO



TEXTO 1



Patriotismo é o sentimento de orgulho, amor, devolução e devoção à pátria,[1] aos seus símbolos (bandeira, hino, brasão, riquezas naturais e patrimônios material e imaterial, dentre outros) e ao seu povo.[2] É razão do amor dos que querem servir o seu país e ser solidários com os seus compatriotas.[3]

O termo português patriotismo tem suas origens no latim patriota, por sua vez derivado do grego πατριώτης (patriōtēs), "do mesmo país". Este, tem como radical πατρίς (patris), cujo significado é "terra natal" ou "terra paterna". Ao longo da história, o amor à pátria vinha sendo considerado um simples apego ao solo. Tal noção mudou no século XVIII, que passou a assimilar noções de costumes e tradições, o orgulho da própria história e a devoção ao seu bem-estar.[4]

Através de atitudes de devoção para com a sua pátria, pode-se identificar um patriota.

Muitas vezes, o nacionalismo é confundido com patriotismo. Porém, podemos dizer que o nacionalismo é considerado uma ideologia ou um idealismo que leva as pessoas a serem patriotas. O nacionalismo tem várias acepções, entre elas:

Salvaguarda dos interesses e exaltação dos valores nacionais;

Sentimento de pertencer a um grupo por vínculos raciais, linguísticos e históricos, que reivindica o direito de formar uma nação autônoma;

Ideologia que enaltece o estado nacional como forma ideal de organização política, com suas exigências absolutas de lealdade por parte dos cidadãos.

Ser um nacionalista não implica algum ponto de vista político particular, à exceção de uma opinião da nação como um princípio organizado fundamentalmente na política. Agora, ser um patriota implica fazer algo de bom pelo seu país ou nação.

(...)

Patriotismo é o espírito de solidariedade entre pessoas que tenham interesses comuns, constituindo um Estado, e que, ao viver sob mesmas leis, as respeitem com ânimo maior que o ânimo que empregam na defesa de interesses privados e ambições particulares, sem avareza. Estas pessoas consideram que suas riquezas particulares e seu bem-estar também constituem um tesouro público, e, por outro lado, policiam para que o tesouro realmente público não se torne patrimônio de particulares. É um sentimento que, ao lado das leis, sustentam um Governo. Toda vez que tais pessoas deixam de cumprir as leis, elas enfraquecem o Estado.

No entanto há quem sugere que o verdadeiro patriotismo, ao traduzir-se no impulso para defender a pátria, pode e deve estar contra uma injusta opressão estatal[7] principalmente quando esteja a tomar medidas que põem em risco a independência nacional e a sua autodeterminação.

Há diferentes tipos de patriotismo, e diferentes pessoas que são patriotas, diferentes maneiras de mostrar como são devotos ao seu lugar de origem:



Cultura: cantores, compositores e poetas, que são famosos no mundo inteiro, espalham o encanto do país em que vivem. E não negam suas raízes;

Guerra: pessoas que se oferecem ou são rigorosamente selecionadas para defenderem seu país em uma guerra.

Desportos: há grande parte da população que tem orgulho de sua pátria quando ela está representada por atletas do seu país em competição.



O patriotismo é objeto de profundas críticas desde pelo menos o século XVIII, sobretudo pela manipulação desta e daqueles que a professam em nome de interesses e ideologias específicos. Sobre isso, é famosa a frase de Samuel Johnson de que "o patriotismo é o último refúgio do canalha".[8]



https://pt.wikipedia.org/wiki/Patriotismo



TEXTO 2



Paris, 11 nov (EFE).- O presidente da França, Emmanuel Macron, considerou neste domingo que a defesa do multilateralismo é uma das lições da Primeira Guerra Mundial e contrapôs as virtudes do patriotismo ao nacionalismo.

“O patriotismo é exatamente o oposto ao nacionalismo. O nacionalismo o trai”, afirmou Macron em discurso diante de cerca de 70 chefes Estado e de Governo durante a cerimônia de comemoração do centenário do armistício da Primeira Guerra Mundial no Arco do Triunfo de Paris.

Macron celebrou o patriotismo dos que combateram nessa disputa, por trás da qual havia uma “visão da França como nação generosa, portadora de valores universais” e disse que foram “esses valores os que faziam sua força, porque seus corações os guiavam”.

“A lição da Grande Guerra – argumentou – não pode ser o rancor de um povo contra outro, nem o esquecimento do passado”, mas as tentativas que houve depois de 1918 para construir a paz com “as primeiras cooperações internacionais”.

Por isso, Macron apostou por “um mundo no qual haja amizade entre os povos e no qual as instâncias e os fóruns permitam aos inimigos de ontem estabelecer diálogos”.

“Isso se chama no nosso continente a amizade criada entre a Alemanha e a França (…). Isso se chama a União Europeia, uma união livremente consentida nunca vista na história, que nos livra de guerras civis. Isso se chama Organização das Nações Unidas, fiadora de um espírito de cooperação para defender os bens comuns de um mundo cujo destino está indissoluvelmente unido”.

Macron fez notar que ao final da Primeira Guerra Mundial, a construção de todas essas instituições multilaterais foi varrida. “A humilhação, o espírito de revanche, a crise econômica e moral, alimentaram a ascensão do nacionalismo e do totalitarismo”.

E advertiu que atualmente voltam a aparecer “os antigos demônios” e que “a história ameaça retomar o seu passado trágico”.

Portanto, lembrou aos dirigentes que o escutavam a “imensa responsabilidade” que têm para evitar tais fatos.

“Juntos podemos evitar essas ameaças que são o espectro da mudança climática, da pobreza, da fome, da doença, das desigualdades e da ignorância. Iniciamos esta luta e podemos vencer. Continuemos porque a vitória é possível”, disse.

O presidente francês terminou o discurso com um “viva a paz e a amizade entre os povos!” e um “viva a França!”. EFE



https://exame.abril.com.br/mundo/o-patriotismo-e-exatamente-o-oposto-ao-nacionalismo-diz-macron/ 11 de novembro de 2018



PROPOSTA 1



Produza uma microdissertação a fim de responder à seguinte pergunta:



“O patriotismo é importante para o desenvolvimento do Brasil?”



Seu texto deverá ter entre 10 e 15 linhas.



PROPOSTA 2



Produza um texto de estilo Enem a partir do tema: A importância do patriotismo para o desenvolvimento do país.



PROPOSTA 3



Produza um texto de opinião, o qual você deverá assinar como Articulista. Seu artigo obrigatoriamente deve dialogar com a matéria sobre as declarações do presidente da França Emmanuel Macron, de modo a contemplar ideias como patriotismo e nacionalismo, conforme o sentido empregado na notícia.

Utilize entre 15 e 25 linhas.

26 de jan. de 2018

GÊNERO TEXTUAL: RESENHA

Gênero textual: Resenha  


                        O texto a seguir pertence ao gênero resenha. Como tal, possui função específica que determinará seu conteúdo, a forma de exposição de ideias, linguagem e abordagem do tema. Leia-o e procure identificar essas características.


Um gramático contra a gramática

Gilberto Scarton

“Língua e Liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino”[1] (L&PM, 1995, 112 páginas) do gramático Celso Pedro Luft[2] traz um conjunto de ideias que subverte a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por combater, veemente, o ensino da gramática em sala de aula.
Nos 6 pequenos capítulos que integram a obra, o gramático aborda, intencionalmente, de maneira enfática [4] o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna, as noções falsas de língua e gramática, a obsessão gramaticalista, inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo, o esquecimento a que se relega a prática linguística, a postura prescritiva, purista e alienada - tão comum às "aulas de português"[3].
O velho pesquisador apaixonado pelos problemas da língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação linguística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática tradicional e linguística; o relativismo e o absolutismo gramatical; o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos linguistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do irrelevante.
Essa fundamentação linguística de que lança mão - traduzida de forma simples com fim de difundir assunto tão especializado para o público em geral - sustenta a tese do Mestre, e o leitor facilmente se convence de que aprender uma língua não é tão complicado como faz ver o ensino gramaticalista tradicional[4]. É, antes de tudo, um fato natural, imanente ao ser humano; um processo espontâneo, automático, natural, inevitável, como crescer. Consciente desse poder intrínseco, dessa propensão inata pela linguagem, liberto de preconceitos e do artificialismo do ensino definitório, nomenclaturista e alienante, o aluno poderá ter a palavra, para desenvolver seu espírito crítico e para falar por si.
Embora Língua e Liberdade do professor Celso Pedro Luft não seja tão original quanto pareça ser para o grande público (pois as mesmas concepções aparecem em muitos teóricos ao longo da história), tem o mérito de reunir, numa mesma obra, convincente fundamentação que lhe sustenta a tese e atenua o choque que os leitores - vítimas do ensino tradicional - e os professores de português - teóricos, gramatiqueiros, puristas - têm ao se depararem com uma obra de um autor de gramáticas que escreve contra a gramática na sala de aula[5].

                                                                                              (Adaptado de: http://www.pucrs.br/gpt/resenha.php)

                        Observe a legenda:

[1] Citação bibliográfica.
2 Citação do autor.
3 Apresentação do conteúdo da obra analisada.
4 Emissão de opinião do resenhista – observe o advérbio “facilmente” e o verbo “se convence”.
5 Opinião conclusiva do autor.


Os trechos destacados ao longo da resenha possuem equivalentes em todo o texto, por meio de uma leitura atenta, procure encontrar:

- Outra citação bibliográfica do mesmo livro;
- Outra citação do autor;
- Mais referências sobre o conteúdo da obra;
- Mais referências sobre o autor;
- Mais trechos em que estejam evidentes os pontos de vista do resenhista (adjetivos valorativos, advérbios ou verbos por meio dos quais sejam percebidos valores do próprio resenhista).

Analisando-se a resenha, portanto, percebe-se que as diferentes informações quanto ao conteúdo da obra e quanto à avaliação do resenhista estão unidas de forma coesa, como a formar uma só trama. Não se encontram parágrafos destinados somente ao conteúdo ou apenas à crítica. Essa unidade é bastante importante em qualquer texto desse tipo.

Leia essa outra resenha e atente para a linguagem empregada:

DVD

UMA VERDADE INCONVENIENTE (An Inconvenient Truth, Estados Unidos. 2006. Paramount) - Al Gore passou décadas de sua carreira fazendo papel de chato ao falar insistentemente sobre um problema que parecia distante, o aquecimento global. Ficou com fama de bobão e, como se sabe, perdeu a eleição para George W. Bush de forma nebulosa. Enquanto a popularidade do atual presidente despenca, entretanto, a dele anda nas alturas - até em Prêmio Nobel já se fala. Tudo graças a esse bem urdido documentário sobre o tema mais caro ao ex-presidente vice-presidente-presidente: as mudanças climáticas. Envolvente, ritmado e didático sem ser condescendente, o filme chega ao DVD com dados atualizados em relação à versão vista no cinema e é um programa quase que obrigatório para quem deseja entender por que o clima anda tão louco e o que se pode fazer, no dia, para não agravar o problema.

(Revista Veja, São Paulo, 07 fev. 2007.)


CONCEITUANDO
                       
                        A resenha não se trata de um texto muito longo; dotada de título original, tem como objetivo chamar a atenção do leitor de modo a apresentar-lhe apreciações críticas e de conteúdo a respeito de uma obra científica, filosófica ou literária (resenha crítica), podendo também abarcar coletânea de textos de variados tipos (resenha temática), analisados como um todo ou individualmente. Considerando-se o universo da escrita apenas, as resenhas, portanto, são textos em 3a pessoa que se apoiam em outros textos, assim como os resumos, e que, no entanto, diferente destes, além de apresentarem de modo sucinto determinado conteúdo, ocupam-se deste último com uma abordagem na qual a opinião do resenhista recebe atenção especial. Neste aspecto, aquele que a escreve, além de apresentar os próprios pontos de vista, é capaz de influenciar a opinião alheia  quanto à determinada obra, filme etc.
                        No cotidiano, esse gênero textual costuma aparecer em jornais, revistas, sites especializados e blogs, podendo assumir até uma linguagem mais descontraída. No meio acadêmico, no entanto, privilegia-se a formalidade na abordagem do conteúdo e na construção de argumentos.
                        Embora alguns autores nomeiem algumas categorias de resenhas, em sua essência e estrutura todas apresentam os mesmos elementos:

                        - título;
                        - citação bibliográfica;
                        - citação do autor (sua biografia - opcional);
                        - apresentação sucinta do conteúdo do objeto tratado;
                        - análise e crítica do resenhista, expressando juízo de valor.

                        É importante observar que a crítica do resenhista não deve ter por base simplesmente o campo de suas impressões, pelo contrário, suas opiniões precisam ser sustentadas por argumentos que persuadam o leitor de que a tese defendida na resenha é digna de crédito, ou seja, toda resenha possui um caráter dissertativo.
                        Na crítica, costuma-se expor um ponto de vista favorável ou desfavorável ao objeto tratado, contudo não se descarta a possibilidade de relativização entre prós e contras de determinado texto ou obra.
                       
                        Sugestão de trechos:

- Com adjetivos valorativos:

a) A obra é – reveladora; importante; essencial; problemática; polêmica; descompromissada; recomendável.
b)  O autor é – enfático; modesto; contundente; desafiador; radical.
c) O estilo do autor é / a abordagem do autor é – discutível; exemplar; confuso(a); irreverente.
d)  O tema é – relevante; muito atual; pertinente; desconcertante.

- Com advérbios ou locuções adverbiais:

a) O autor escreve - com desenvoltura; ritmadamente; didaticamente; tediosamente; com originalidade.
b) É necessário ler – atentamente; analiticamente; com espírito crítico.
c) No texto, aborda-se o assunto – com audácia; com cautela; com sensibilidade.
d) O tema é tratado – de forma irreverente; de maneira convencional; de maneira preconceituosa.


                        Sugestões:

- Antes de produzir uma resenha, procure elencar de forma objetiva as informações mais relevantes do texto (O quê, Quem, Quando, Como, Onde e Por quê).

- Procure pensar em elementos do texto como: tema, intencionalidade, linguagem, aspecto biográfico do autor.

- Para as informações elencadas, procure atribuir valores positivos ou negativos sobre os quais se possa argumentar de maneira convincente.









16 de dez. de 2017

DISCURSO DE PARANINFO - PGD- 2017

Discurso em ocasião da formatura do 3o Ano dos alunos do colégio PGD, de 2017.

Caros pais e mães, alunas e alunos, mantenedores, diretores, coordenadores e colegas professores do nosso querido colégio PGD,
Antes de escrever este texto, perguntei àqueles que hoje se transformam em meus ex-alunos sobre o que eles desejariam que eu falasse nesta noite. Surgiram então três temas: Realidade, Felicidade e Esperança.
Primeiro resolvi abordar a realidade, essa que é sempre fonte de polêmicas, pois, em torno de fatos, é comum que criemos fantasias e hipóteses para explicá-los. A realidade, essa irmã da verdade, é sempre algo complexo, porque os sentidos humanos não são completos e a análise humana é imperfeita. Assim, qualquer abordagem que eu faça da realidade é, antes, como diria o teólogo Leonardo Boff, a visão de um mero ponto. Por outro lado, creio que hoje temos necessidade de algo mais concreto, então escolhi refletir sobre o que defende um ditado oriental: “a verdade está nos fatos”.
Resolvi, então, sendo mais pragmático, apresentar a vocês fatos; fatos que para mim consistiram em realidade, felicidade e esperança.
Vamos a eles então:
Neste ano fiquei muito surpreso com o convite para falar-lhes pela última vez como seu professor. Mais especificamente, fiquei surpreso, feliz e confuso. Explico.
Surpreso, porque neste ano nenhum aluno ouviu de minha boca frase destinada a incentivá-los a passar no vestibular nem a estudar como atletas para ter um alto desempenho nas provas. Tampouco os incentivei a tirar boas notas ou a desenvolver um plano de estudos, ou a serem bons filhos, bons alunos, bons cidadãos ou o que seja. Se os incentivei em algum sentido, foi para respeitar os que são e pensam de modo diferente de vocês, foi para não se tornarem cúmplices nem de seus amigos, caso eles ajam em prejuízo de outra pessoa, ainda que vocês não a conheçam nem gostem dela. Disse que, para agir com convicção, é preciso coragem, e que, sempre que respeitamos nossos princípios, de uma forma ou outra, pagamos um preço.
Com franca humildade, sei que muitos de meus colegas se dedicaram com muito mais afinco em favor de vocês, para que obtivessem e obtenham sucesso nos tão temidos vestibulares. Portanto, minha consciência me acusa que esse não foi o meu caso, eis todo o motivo de minha surpresa.
Contudo, nesse momento, ao refletir sobre este texto, acredito que o desejo de vocês é, no fundo, mais do que ouvir palavras, mas ouvir algo semelhante ao que ouviram de mim ao longo desses anos, algo que envolva experiências que vão para além dos muros e do universo escolar e acadêmico. Acho que é isso, não é?
Bom, se já disse por que fiquei surpreso, agora saibam por que fiquei feliz. Fiquei feliz porque ter sido uma escolha de vocês implica que essa foi uma decisão carregada de afeto, que chegou com um significado que transcende a racionalidade. Assim, se o coração é um cálice, saibam que o meu agora transborda. Tenho de dizer-lhes, portanto, muito obrigado pelo carinho e confiança, não conheço maior tesouro na vida. Tenho cada um de vocês em meu coração, saibam disso.
Opa, será que isso tem a ver com felicidade?
E como falar sobre ela, como teoria ou como realidade?
Prefiro a segunda forma, portanto nada de Aristóteles, Rousseau ou outro digno filósofo. Vou tratar somente sobre o modo como a felicidade se apresentou para mim, e só posso esperar que isso faça sentido para vocês. Prometo quase nada de teoria.
Quando me propuseram o tema, resolvi investigar três momentos em que experimentei legítima felicidade. E foi uma verdadeira surpresa.
Uma memória marcante foi uma vez que minha mãe disse que eu deveria ajudá-la a limpar o carpete do apartamento onde morávamos. Eu tinha nove anos. Ela encheu um balde com água e sabão, deu-me um escovão, molhou um escovão que estava com ela e começou a passar com força no chão. Estávamos de joelhos e juntos, ela cobrindo uma área muito maior do carpete do que a minha. Durante uma tarde inteira de sábado, ficamos absortos por aquela atividade inglória. Meus joelhos ficaram doídos, minhas mãos coçavam por causa do sabão e meu corpo ficou um tanto dolorido, mas sei que tudo foi superado por uma sensação que chamo hoje de felicidade, e que senti ao longo de todo aquele processo.
Outra memória, bem mais recente, foi quando, no ano passado, fiquei internado durante duas semanas no hospital. Minha esposa assumiu responsabilidades que eram minhas. Ela, além de não reclamar de estar sobrecarregada por eu não poder cumprir com a minha parte, foi gentil, amável e carinhosa. Em determinado momento, durante minha internação, embora meu corpo estivesse muito comprometido, me senti feliz. Não ser obrigado a fazer o que não se está em condições de fazer é sempre um alívio maravilhoso. Não ser confrontado por alguém que o ajuda de modo a ficar claro que você está recebendo um favor que você já sabe estar recebendo, é duplamente mais reconfortante.
Por fim, a última referência de felicidade deu-se alguns dias atrás. Minha cachorrinha Gigi, com treze anos, rompeu o ligamento do joelho. Ela está mancando com dor há algumas semanas. Disseram-me que ela talvez não suportaria uma cirurgia, e entendi que talvez fosse o momento de me despedir dela. A partir de então, comecei a abraçá-la mais, a beijá-la e a me despedir dela aos poucos e todos os dias. E o que há de feliz nisso? – você pode estar se perguntando.
Acrescento, ainda, à pergunta: o que pode haver de feliz nos meus três exemplos, nos três fatos reais?
Então vou tentar explicar.
No primeiro, minha mãe me fez experimentar três importantes lições da felicidade, o que um psicólogo chamado Bert Hellinger chamou de:  pertencimento, hierarquia e equilíbrio.
Quando ela me convocou àquele trabalho, eu senti que pertencia à vida dela, à casa e à família. Em verdade, nós precisamos sentir que pertencemos a alguém, a um grupo, a um núcleo onde somos respeitados, amados e no qual temos uma função. Se os nossos pais não fazem isso, a vida fica extremamente difícil logo de começo. Se não encontramos esse sentimento depois, como ser feliz?
Quando ela usou a autoridade dela para que eu a ajudasse, ela me ensinou que eu tinha um papel e ela outro, que ela assumia o papel dela de mãe para que eu assumisse o meu papel de filho. Ao fazer uso dessa hierarquia, ela fez que eu me sentisse seguro e capaz, e que não se exigia de mim mais do que eu poderia dar. Se não nos sentimos seguros e capazes, ser feliz é praticamente impossível.
Quando ela mostrou que seu espaço de trabalho era maior do que o meu, ela demonstrou que respeitava o limite de minhas forças e entendia que o limite dela excedia o meu, demonstrou também que eu não estava sendo explorado pela vontade dela, mas que era um companheiro útil naquele trabalho árduo. Desse modo, aprendi intuitivamente que equilíbrio e companheirismo nas relações produzem bem-estar, respeito, altruísmo e amorosidade. Sem sentirmos que somos tratados com justiça, respeito e amor, a felicidade é praticamente impossível.
O segundo momento que citei, quando minha esposa assumiu sem reclamar tarefas que não eram dela e acrescentou a isso abnegado carinho e atenção, aprendi outra lição da felicidade, ser humilde é colocar-se na condição de aceitar que outro nos dê seu melhor. Receber carinho, atenção e entender que em muitos momentos precisamos ser acolhidos e verdadeiramente notados em nossas mais profundas necessidades é algo que pode nos fazer felizes. A gratidão também entra nessa fórmula.
Então, a última e mais recente lição que aprendi da felicidade é não negar a dor, me permitir sentir, ainda que as lágrimas escorram. Gigi, a minha cachorrinha, me fez entender isso. Ela em breve vai para o paraíso dos cães – e ele é lindo, já contei para ela. Antes que isso ocorra, não deixarei de acarinhá-la, beijá-la e abraçá-la, nem a evitarei como forma de fugir às minhas próprias emoções dolorosas. Isso porque sei que onde está esse tipo de dor é porque não falta amor.
Esta até agora foi minha última lição da felicidade: sem amor é impossível ser feliz.
Depois disso, notei que a lição sobre o amor estava em todos os outros momentos, mas foi a dor que me fez vê-lo de mais perto, ele, o amor, está completamente abraçado à felicidade.
Pertencimento, hierarquia, equilíbrio, segurança, respeito, altruísmo, amorosidade, justiça, companheirismo, acolhimento, humildade, gratidão e amor – por enquanto foram essas as palavras que consegui relacionar diretamente à minha noção muito particular de felicidade.
Gostaria que observassem que não citei nessa fórmula outros três elementos tão em moda. Não citei nem status, nem saúde nem dinheiro. Não o fiz por um único motivo, em minha experiência, não vi de que modo eles, por si mesmos, promovessem um sentimento profundo de bem-estar e plenitude.
Para encerrar, não posso deixar de falar da Esperança.
Sabemos todos que estamos em um momento de crises significativas no campo da política, da economia, dos valores, das certezas, uma crise sem prazo para acabar, que parece fechar nossos horizontes futuros. Como falar de esperança então?
Um dito popular garante: “O amanhã a Deus pertence”. Um versículo, talvez menos conhecido, registra uma frase de Jesus: “Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.”
Creio que ambos têm razão.
Aprendi a acreditar que solucionar os problemas externos a nós não são garantia de muita coisa. Ter dinheiro, status e saúde também não. Obviamente são coisas boas, mas não resolvem nossas questões mais íntimas. Portanto, a esperança tem de se firmar sobre algo além.
Se posso então dizer algo sobre ela, penso que não falta esperança quando recebemos e também proporcionamos aos outros, na medida de nossas possibilidades, pelo menos alguns daqueles elementos que há pouco associei ao estado de realização e plenitude profundas. Quando sentimos que pertencemos e proporcionamos a outros esse sentimento, geramos esperança. O mesmo acontece em relação a quando somos tratados com justiça e tratamos os outros justamente, quando somos altruístas e são altruístas conosco, quando não negamos nossa fragilidade e temos compaixão com a fragilidade alheia, e quando reconhecemos a importância da dor e do amor.
Recebam, portanto, cada um o meu abraço e o desejo de que nenhum desses elementos faltem às suas vidas.
E antes que eu me esqueça, embora alguns entre vocês tenham dúvidas, ouçam esta perfeita verdade: cada um de vocês é lindo e linda a seu modo, é profundamente capaz a seu modo e merece ser reconhecido, respeitado e amado. Ser livre é não ter medo. O medo nos apequena. O medo de não agradar, o medo de não ser bom ou boa o suficiente, o medo de não ser bonita ou bonito o suficiente, o medo de não ser magro, magra ou forte o suficiente, ou de não ser adequada ou adequado, ou inteligente o suficiente nos afasta de nosso potencial mais profundo e verdadeiro. Não tenham medo.
Por outro lado, gostaria de deixar-lhes também esta reflexão: ser humilde é nunca se colocar em situação superior ou inferior à sua real condição. Não se coloquem jamais abaixo do verdadeiro valor de vocês nem deixem que ninguém o faça. Jamais se coloquem acima dos outros. Eis duas atitudes difíceis de evitar, eu sei. Mas vale tentar.
Enquanto estava em sala de aula, no alto de um tablado, estava também à frente de uma constelação. Só posso desejar que nada ofusque o brilho de vocês. Lembrem-se de que é nos dias de céu mais escuro que as estrelas brilham mais plenas. Vocês são capazes de feitos que vocês ainda nem imaginam, nunca duvidem disso!
Fiquem com meu carinho e respeito.
Uma ótima noite de celebração a todos!



8 de dez. de 2017

DISCURSO DE PATRONO - ATENEU - 2017


Discurso de patrono em ocasião da formatura dos 3ºs anos do Colégio Ateneu 

Caros pais, alunos, mantenedor, diretora, supervisor, coordenadora e colegas professores do nosso querido colégio Ateneu.

Inicialmente, gostaria de agradecer a honra de estar aqui hoje desempenhando um papel tão simbólico, diante de uma turma cujo progresso acompanhei ao longo de três anos. Três anos que não foram fáceis, mas demonstraram que é possível construir um caminho de confiança e respeito quando existe vontade.
Não exatamente aquela vontade que vocês tinham de fazer redação.
Tá, cansa, eu sei...
Mas o dia de vocês chegou, e parece que hoje, finalmente, mudaram-se os papéis. Quem teve de fazer a dissertação fui eu.
Mas, enfim, eu deveria falar sobre o que a vocês?
Uma colega de vocês disse que um bom tema seria o futuro.
Por isso, eu resolvi fazer assim: um texto dissertativo ensaístico sem proposta de intervenção ao final, cheio de perguntas. A nota no Enem seria baixa. Bom, felizmente o mundo é muito maior e melhor do que o Enem.
Essa dissertação começa assim:
Você me pergunta sobre o futuro?
Quem não deseja ou já desejou saber sobre o futuro?
A felicidade está lá? Lá está o amor sonhado? Lá está o emprego ou atividade profissional perfeita? Lá está a compreensão que ainda não recebemos? Os bens materiais que desejamos conquistar? As pessoas que nos respeitarão? A autonomia que desejamos? A família que gostaríamos de formar?
Ou, para quem leu “A Hora da Estrela” de Clarice Lispector, será que lá está a Mercedes que atropelou Macabea depois de ela sair esperançosa da consulta de uma cartomante que lhe disse que ela encontraria um grande amor?
Seria como essa a hora da estrela reservada para nós, ou seja, um futuro de desilusão e dor?
O futuro irá nos trair?
Acredito que ao mesmo tempo pode ser uma coisa e outra coisa.
Existe um adágio cigano que diz que se você quer conhecer o futuro, você deve conhecer o passado. Acredito que os professores de História concordam com os ciganos. O passado nos ensina muitas coisas sobre o futuro. Por exemplo, todos nós teremos momentos de alegria, de aflição, adoeceremos e veremos pessoas que amamos passarem pelas mesmas situações que nós. Procuraremos nos afirmar por nossa competência, desfrutaremos momentos de bem-estar, teremos certezas, mudaremos de ideia, seremos confrontados em nossas verdades, nos iludiremos e seremos desiludidos, nos sentiremos injustiçados em algum grau, nos sentiremos vingados também em algum grau, passaremos por perdas dolorosas, perceberemos que não temos tanto controle sobre nossas vidas quanto gostaríamos de crer, precisaremos de ajuda, poderemos oferecer ajuda, e depois de infinitas experiências, chegaremos ao fim de nossa existência. Daqui 100 anos seremos histórias esquecidas ou contadas em fragmentos. Possivelmente seremos informações perdidas em um mar digital caótico de fotografias, muitas selfies com certeza, vídeos e áudios. O futuro a longo prazo é o fim de tudo que conhecemos e de como conhecemos. Não é necessário ter o dom da profecia para dizer-lhes isso.
Se o futuro pode então ser resumido dessa forma, penso que a grande pergunta não deveria ser sobre o futuro em si, pois quem acorda o futuro faz adormecer o presente, isto é, quem põe toda sua atenção nos desejos futuros deixa de viver o presente e sofre com uma terrível ansiedade. Por isso, a grande questão é como manter o estado de vigília, como estarmos despertos no presente, para que ele valha de fato a pena. Porque um dia o futuro será o presente, e ele então valerá a pena também. Assim não teremos deixado de viver nenhum dos momentos de nossa vida em função de outros.
É com base nisso, portanto, que penso que, na verdade, a grande pergunta seja: como viver o presente?
Alguns gostam da expressão Carpe Diem, como um sentido de viver intensamente o presente. Mas talvez esse conceito ainda seja vago. Muitos interpretam essa ideia de intensidade como algo equivalente a deixar que todas as nossas energias sejam consumidas pelos prazeres mais imediatos, pela euforia e pelas paixões intensas. Contudo, a ideia original é razoavelmente diferente. Ela tem a ver com colocar cada coisa em seu devido tempo e lugar, dedicando a cada coisa unicamente o que lhe compete. Hora de amar, amar. Hora de se comover e chorar, se comover e chorar, hora de trabalhar, trabalhar, hora de alegrar-se, alegrar-se, hora de sonhar, sonhar. Assim, a grande questão da vida seria não subverter o que é apropriado a cada momento nem fugir ao que cada momento propõe.
Nesse sentido, acredito ser importante acrescentar algumas ideias: se a bebida serve para descontrair e confraternizar, ela talvez esteja no lugar dela, entretanto, se ela é utilizada para que alguém consiga dormir, conversar, namorar ou esquecer problemas, é bom lembrar que bebida não é remédio nem psicólogo. A comida serve para alimentar. Se ela é usada como forma de preencher vazios que vão além das questões fisiológicas, é bom lembrar que comida não é um confidente apropriado. Se um amigo ou colega é usado para que alguém se sinta superior a outra pessoa, é bom lembrar que nossos complexos de superioridade e inferioridade merecem ser tratados de outra forma, assim como nossos amigos. Se os nossos pais são tratados como carteiras abertas destinadas a nos servirem com todo seu dinheiro, é bom lembrar que o único dinheiro realmente nosso é aquele que resulta de nosso trabalho. E só para lembrar, se um dia vocês tiverem um marido ou esposa e filhos e se esquecerem de se fazer presentes e dedicar-lhes sua atenção e carinho verdadeiros, companheiros e filhos não existem para ser responsabilizados pelas nossas frustrações, mas para receberem nosso carinho, compreensão, respeito, atenção, afeto e amor.
E o que isso tem a ver com futuro?
Creio que quem cuida bem do presente, semeia o melhor futuro. O futuro é o agora, e o que você faz agora encontra você logo ali adiante.
Saibam, portanto, que, no futuro, quando, por acaso, nos encontrarmos, em nome do que fomos semeando nos muitos presentes do passado, você com certeza terá meu abraço e meu desejo de que tudo esteja bem com você, que suas escolhas tenham sido acertadas e que não lhe faltem sempre o bom ânimo e a esperança para seguir adiante, nem a lucidez para avaliar seu presente.

Queridos alunos e alunas do terceiro, tamo junto!!

QUIZ: POR QUE OU POR QUÊ?

Havendo dificuldade em visualizar o quiz, clique no link abaixo: