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15 de out de 2009

O Escritor Consciente

O escritor consciente. Quem é ele? O que faz? Onde mora?

Ele não é famoso, talvez não tenha escrito mais do que alguns textos curtos nessa sua condição particularíssima; não necessariamente tem vocação para o sucesso, tampouco vaga constantemente entre as musas da inspiração; não vive isolado do convívio de familiares, amigos e colegas de trabalho, também não precisa ser um boêmio inveterado ou tísico. Possui apenas uma característica essencial, procura conhecer bem seu instrumento: a escrita.

Para tanto, lê, imita, reinventa, “lima”, “sofre”, “sua” sobre a palavra, com a palavra. Quer conhecer a dinâmica de seu instrumento, coloca-se humilde diante dele e pede: - Ensina-me!

A resposta é silenciosa como são as palavras escritas, mas é clara: - Leia-me, releia-me, escreva-me, reescreva-me e não me abandone.

As palavras carregam em sua genética um mesmo discurso universal que lhes marca a existência:

- Somos a parcial materialização da realidade abstrata. Vagamos entre dois mundos. Trazemos para mais próximo do concreto o mundo impalpável das ideias e para mais perto do espírito o mundo tangível pelos sentidos. Medianeiras entre carne e espírito, formamos um universo à parte de ambos, cujo objetivo é elevar os graus de compreensão e comunicação entre os seres – eis delas a razão eterna!

Todos os pensamentos, portanto, anseiam ser vestidos com palavras que lhes caiam bem – o bom escritor sabe bem disso!

Alguns aceitam passivamente aquelas que a tevê, os amigos e parentes lhes oferecem; o escritor consciente não. Ele averigua conceitos, guarda vocábulos, coleciona-os até; a fim de sacá-los no texto oportuno para que cumpram seu destino, desempenhando a função desejada por ele e ninguém mais. Ele repete as palavras quando quer e porque quer, não por falta de outras, e tem sempre um estilo ou efeito em mente. Ele lê e relê seus parágrafos, risca-os, descarta-os, reescreve-os. Sacrifica a pressa de concluir seu texto à vontade de contemplá-lo, como se este fosse uma extensão de si.

A palavra, ainda que escrita, encerra, para ele: texturas sonoras; sínteses de pensamentos complexos ou não; descrições; ações; enfim, significados. - Palavras completamente sinônimas não existem! – é o que elas lhe contam durante o silêncio da leitura ou da audição atenta.

Com o fim de imprimir ritmo às suas linhas, ele procura dominar os meandros da vírgula, dos pontos e dos sinais gráficos. Incansável, deseja impor-se em um universo no qual lhe é reservado o papel de co-criador, procurando dançar harmonicamente com suas amigas e vilãs: as palavras - herança de seu tempo e, sobretudo, de seus ancestrais.

6 comentários:

Elisa disse...

Olá!

Gostei.

Abraço

L Janz disse...

Kara samnomulo,

Excelente! ;)

Que jóia de texto ao mesmo tempo poético e didático. Seria uma real maldição o fato de todo Leonardo ser um escravo das palavras e significações? "Eureca!". Eis todo o sentido por trás do sentido... E.. Dialética. Eis a função-mater de todo e qualquer pensamento e-ou discurso no perene multiverso da linguagem.

Aquele Abraço! LJ.

Leonardo disse...

Oi, Elisa!

Que bom que gostou!
Infelizmente só agora vi seu comentário.
Obrigado!

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Oi, Leĉjo,

Bela prosa filosófico-poética!
Obrigado pelas palavras!

Grande abraço!

Encruzilha pelos Destinos disse...

Ótimo texto Leonardo,você sabe realmente traspor as palavras de modo exato que elas sejam absorvidas por nossas mentes de forma leve e fácil.
Abç ;D

Leonardo disse...

Obrigado!
Gostei de seu blog, muito poético!

Abraços!

Eliane Galavote disse...

Parabéns pelo texto!!!
Adorei!!

QUIZ: POR QUE OU POR QUÊ?

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