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11 de set de 2012

Artigo de Opinião


Artigo de Opinião                                                                       


Não diferente do editorial, os Artigos de Opinião pertencem ao meio jornalístico, sendo encontrados em jornais e revistas, e, mais atualmente, em blogs e sites que adotam uma linguagem semelhante à do jornal.

Geralmente o tema que dá origem a esse gênero de texto é extraído de alguma notícia ou reportagem, ou seja, de determinado assunto que obteve certa visibilidade no período em que se redigiu o artigo.

Quem o escreve, no entanto, não é o editor, como no caso do editorial, e também não necessariamente é um jornalista, mas alguém identificado como colunista ou articulista, cuja função é apresentar sua opinião e argumentar de modo a tentar convencer o leitor a adotar seu ponto de vista ou, pelo menos, a considerar um certo tema sob uma diferente perspectiva.

Demonstrando personalidade e utilizando, para isso, muitas vezes, a 1a pessoa, é próprio do articulista polemizar e assumir uma postura provocativa em relação ao leitor, fugindo ao senso comum no trato com o tema. Alguns colunistas, inclusive, parecem nutrir um gosto maior pela polêmica do que pela própria argumentação.

Por ser um texto de caráter opinativo-argumentativo, o articulista costuma ter maior liberdade tanto no uso da linguagem como na forma de apresentar seus argumentos. Procurando conferir tom enfático a suas declarações, ele pode se permitir a adotar alguns recursos que seriam considerados exageros em outros textos do tipo dissertativo.

Nos meios de comunicação, os articulistas, além de sempre serem identificados, costumam apresentar uma referência acerca de sua atividade profissional (educadora, músico, administrador, escritora etc.). Algumas revistas e jornais optam por revezar os autores semanalmente ou diariamente. Estes acabam cativando determinado público, que passa a acompanhar seus artigos, procurando nestes útlimos um recurso que os auxilie a formar a própria opinião. Não raro, esses textos suscitam em alguns leitores a vontade de manifestar publicamente seus pontos de vista, o que acabam fazendo por meio de cartas e e-mails dirigidos ao colunista ou editor.

É comum que o espaço destinado ao Artigo de Opinião traga a informação de que o jornal ou revista não necessariamente esposa o posicionamento ideológico do autor, não se responsabilizando, portanto, pelas declarações do articulista.  Com esse posicionamento do veículo de comunicação, reforça-se ainda mais o caráter opinativo do artigo.

CONCEITUANDO

O Artigo de Opinião é um texto opinativo de caráter dissertativo-argumentativo no qual se apresenta uma tese principal originada geralmente por um tema atual. Quem o escreve, além de argumentar de modo a defender um ponto de vista, procura conferir certa personalidade ao texto, podendo se valer de alguns recursos retóricos para isso.

Pode-se utilizar tanto 1a quanto 3a pessoa, e o uso da função conativa (dirigir-se diretamente ao leitor) também é válido, contanto que o autor demonstre que sua utilização não advenha de uma dificuldade em lidar com a linguagem.

As propostas de redação que exigem a confecção de um texto pertencente a esse gênero textual costumam dar as orientações básicas a respeito do artigo, inclusive indicando o público ao qual ele seria destinado. Costuma-se também fornecer textos de apoio que instrumentalizem o candidato.

Observe o texto a seguir:


As madames e suas mucamas

A gente pensa que sabe. Mas os números teimam em nos surpreender. Qual é a maior ocupação profissional da mulher no Brasil? Doméstica. Também espanta saber que menos de 25% das domésticas têm carteira assinada. Não há nenhum direito trabalhista ou benefício para quase 5,5 milhões de empregadas em casas de família, embora seja ilegal. Seus patrões serão os mesmos que se indignam com a falta de ética dos políticos?

De todas as brasileiras que trabalham, 15,8% são domésticas. Nos países desenvolvidos, essa profissão – do jeito como a conhecemos, a “criada para todo tipo de serviço”, que cozinha, limpa, passa e lava em tempo integral – acabou há muito tempo. Mas, no Brasil, nos últimos dez anos, as domésticas aumentaram de 5 milhões para 6,6 milhões. E três quartos desse total são invisíveis em nossa economia.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) acaba de divulgar esses dados, com base em pesquisa de 2008 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A escolaridade das empregadas é muito baixa. A média não chega a seis anos de estudos. Piora no interior. Se, no Sudeste, temos 5,8% de analfabetos, no Nordeste são 19,4%. Nas áreas urbanas, há 4,3% de analfabetos. Nas áreas rurais, o índice é assustador: 23,5%.

Não sou fã de estatísticas e porcentagens. Elas normalmente não têm cara nem coração. Mas essas pesquisas radiografam a alma nacional.

As madames e seus maridos já tentaram saber até que ano suas empregadas estudaram? Sabem onde moram? Quanto tempo levam para chegar, a que horas acordam para trabalhar? Ou importa apenas se o feijão está bem temperado e se a carne assada passou do ponto?

“Lamento, mas quem consegue pagar um salário mínimo e mais todos os encargos?”, argumentam, em sua defesa, patrões relapsos. Se não conseguem, então fiquem sem empregada. Deveria ser simples. Mas, no Brasil, as classes média e alta são exigentes. Nos países desenvolvidos do Hemisfério Norte, “doméstica” não existe. O luxo máximo costuma ser a diarista uma vez por semana – a cerca de R$ 40 por hora.
As diaristas na Europa e nos Estados Unidos são imigrantes, muitas delas clandestinas. Quem faz faxina ou cuida das crianças dos outros são as latino-americanas, as africanas, as asiáticas, ou as europeias do Leste, romenas, russas, polonesas. Nunca as nativas.

Essa mordomia no Brasil, com origem na tradição escravagista, é alimentada pela profunda disparidade de renda. O trabalho manual não é reconhecido como deveria. Quem vive fora aprende a valorizar o privilégio de dispor de alguém que ajude nas tarefas de casa. Paga mais, trata melhor.

“Na Itália, políticas públicas adotadas há 20 anos mudaram tanto a condição das domésticas que o nome passou a ser outro. Viraram ‘colaboradoras familiares’ para acabar com a conotação pejorativa”, diz o economista André Urani, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets). “Não existem nos países do Norte essas senzalinhas domésticas que encontramos no Brasil, com quartos de empregada que são uma vergonha em condomínios luxuosos.”

Domésticas de uniforme e touca servindo cafezinhos, almoço e jantar ainda são muito comuns em casas afluentes em nosso país. “Não basta mudar a lei para mudar o comportamento”, diz Urani. “O brasileiro médio não está preparado para viver sem empregada e cuidar ele mesmo da casa. Não é educado assim. Nossa sociedade mantém a cisão entre a classe média e o resto do povo. Exceto na praia ou no Carnaval, não há contato nem integração com pessoas de baixa renda.”

É verdade que muitas empregadas não querem ter carteira assinada para evitar o desconto do INSS. Elas alegam ganhar mais na informalidade, fazendo bicos. Mas, atenção, patrões: isso é ilegal.

A empregada “libera” a patroa para trabalhar fora. No caso de uma minoria muito rica, a doméstica permite que a madame viva sua rotina de massagens, salões de beleza, ginásticas, chás e shoppings. Na raiz desse estilo de vida bem tropical, está algo pernicioso, que corrói as relações humanas e sociais. Chama-se subdesenvolvimento.

Ruth de Aquino é diretora da sucursal de ÉPOCA no Rio de Janeiro: raquino@edglobo.com.br

(http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/1,,EMI97868-15230,00.html)

Neste Artigo de Opinião há:

- Título original e provocativo: As madames e suas mucamas
- Notícia que deu origem ao artigo: pesquisa divulgada a partir de dados do IBGE.
- Uso de linguagem informal (não predominante): “A gente pensa que sabe”.
- Uso de 1a pessoa (não predominante): “Não sou fã de estatísticas e porcentagens”
- Uso inusitado do discurso direto: 

“Lamento, mas quem consegue pagar um salário mínimo e mais todos os encargos?”, argumentam, em sua defesa, patrões relapsos.”

- Tom provocativo: “Se não conseguem, então fiquem sem empregada”
- Função conativa (não predominante):

 “Mas, atenção, patrões: isso é ilegal”
 (Observe que a colunista considera que as pessoas criticadas possam ser seus leitores, mesmo porque o principal público da revista para qual ela escreve pertence a uma classe de bom poder aquisitivo e que, portanto, se inclui  entre aqueles que geralmente possuem empregadas domésticas)

Além dessas características, percebe-se que todo o artigo é argumentativo, contando com elementos de persuasão os quais não dizem respeito somente à linguagem, mas à retórica (sequência de perguntas), à persuasão por autoridade (IBGE e depoimento do economista José Urani), à descontrução de uma ideia própria ao senso comum (possíveis argumentos dos patrões), ao uso de exemplos práticos (citando outros países), bem como à lógica do raciocínio exposto pela autora.


PROPOSTA DE VESTIBULAR

1. (Unicamp)

Coloque-se na posição de um articulista que, ao fazer uma pesquisa sobre as recentes catástrofes ocorridas em função das chuvas que afetaram o Brasil a partir do final de 2009, encontra a crônica de Drummond, publicada em 1966, e decide dialogar com ela em um artigo jornalístico opinativo para uma série especial sobre cidades, publicada em revista de grande circulação. Nesse artigo você, necessariamente, deverá:

a) relacionar três (3) problemas enfrentados recentemente pelas cidades brasileiras em função das chuvas com aqueles trabalhados na crônica;

b) mostrar em que medida concorda com a visão do cronista sobre a questão.

Os dias escuros

Amanheceu um dia sem luz – mais um – e há um grande silêncio na rua. Chego à janela e não vejo as figuras habituais dos primeiros trabalhadores. A cidade, ensopada de chuva, parece que desistiu de viver. Só a chuva mantém constante seu movimento entre monótono e nervoso. É hora de escrever, e não sinto a menor vontade de fazê-lo. Não que falte assunto. O assunto aí está, molhando, ensopando os morros, as casas, as pistas, as pessoas, a alma de todos nós. Barracos que se desmancham como armações de baralho e, por baixo de seus restos, mortos, mortos, mortos. Sobreviventes mariscando na lama, à pesquisa de mortos e de pobres objetos amassados. Depósito de gente no chão das escolas, e toda essa gente precisando de colchão, roupa de corpo, comida, medicamento. O calhau solto que fez parar a adutora. Ruas que deixam de ser ruas, porque não dão mais passagem. Carros submersos, aviões e ônibus interestaduais paralisados, corrida a mercearias e supermercados como em dia de revolução. O desabamento que acaba de acontecer e os desabamentos programados para daqui a poucos instantes.

Este, o Rio que tenho diante dos olhos, e, se não saio à rua, nem por isso a imagem é menos ostensiva, pois a televisão traz para dentro de casa a variada pungência de seus horrores.

Sim, é admirável o esforço de todo mundo para enfrentar a calamidade e socorrer as vítimas, esforço que chega a ser perturbador pelo excesso de devotamento desprovido de técnica. Mas se não fosse essa mobilização espontânea do povo, determinada pelo sentimento humano, à revelia do governo incitando-o à ação, que seria desta cidade, tão rica de galas e bens supérfluos, e tão miserável em sua infraestrutura de submoradia, de subalimentação e de condições primitivas de trabalho? Mobilização que de certo modo supre o eterno despreparo, a clássica desarrumação das agências oficiais, fazendo surgir de improviso, entre a dor, o espanto e a surpresa, uma corrente de afeto solidário, participante, que procura abarcar todos os flagelados.

Chuva e remorso juntam-se nestas horas de pesadelo, a chuva matando e destruindo por um lado, e, por outro, denunciando velhos erros sociais e omissões urbanísticas; e remorso, por que escondê-lo? Pois deve existir um sentimento geral de culpa diante de cidade tão desprotegida de armadura assistencial, tão vazia de meios de defesa da existência humana, que temos o dever de implantar e entretanto não implantamos, enquanto a chuva cai e o bueiro entope e o rio enche e o barraco desaba e a morte se instala, abatendo-se de preferência sobre a mão de obra que dorme nos morros sob a ameaça contínua da natureza; a mão de obra de hoje, esses trabalhadores entregues a si mesmos, e suas crianças que nem tiveram tempo de crescer para cumprimento de um destino anônimo.

No dia escuro, de más notícias esvoaçando, com a esperança de milhões de seres posta num raio de sol que teima em não romper, não há alegria para a crônica, nem lhe resta outro sentido senão o triste registro da fragilidade imensa da rica, poderosa e martirizada cidade do Rio de Janeiro.

Carlos Drummond de Andrade

Correio da Manhã, 14/01/1966.

2 comentários:

Anônimo disse...

Melhor material sobre artigo de opinião que encontrei na internet!!
parabéns

Leonardo Cassanho Forster disse...

Obrigado!

QUIZ: POR QUE OU POR QUÊ?

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