02/06/2013

EÇA DE QUEIRÓS - "O PRIMO BASÍLIO"







Análise da Obra de Eça de Queirós –
O Primo Basílio

(TEXTOS UTILIZADOS NOS VÍDEOS) 
Eça de Queirós (ou Queiroz) – (1845 – 1900)
        
- 1861: inicia os estudos de Direito na Universidade de Coimbra.
   
- 1865: ocorre a “Questão Coimbrã”, da qual Eça não participa.
      
- 1866: forma-se advogado.

- 1869: encontra-se em Lisboa, participando do Cenáculo, junto com outros escritores realistas – em 1870, Antero de Quental será integrado ao grupo.

- 1871: participa das Conferências Democráticas do Cassino Lisbonense, com a palestra: “A Nova Literatura” ou “O Realismo como Nova Expressão da Arte”.

- 1872: segue em carreira diplomática para Havana, servindo futuramente também na Inglaterra e em Paris.

- Mais tarde incorpora-se ao grupo “Os vencidos da vida”, do qual farão parte Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Antero de Quental e Teófilo Braga, entre outros.

- Sua obra possui 3 fases:

- Romântica: até 1870.
- Realista naturalista: iniciando-se com O Crime do Pe. Amaro (1875).
- Realista fantasiosa

ALGUMAS QUESTÕES SOBRE O CONTEXTO DA OBRA:

- Qual é o diálogo que a obra O Primo Basílio estabelece com seu tempo?

- O Primo Basílio (1878) / Mme. Bovary (1857) / D. Casmurro (1899)

- No romance romântico, o projeto último da realização amorosa das personagens é o casamento – “o enlace burguês”. O desfecho favorável ou não desse “problema” é que coloca termo ao enredo.

- O Realismo, no entanto, preocupa-se em remover o “manto diáfano”, “a máscara hipócrita”, que a classe média jogava sobre suas instituições, inclusive a do casamento. Nesse sentido, o Realismo estuda a infidelidade conjugal.

- A obra realista é, portanto, engajada, pois assume a função de arma de combate social.

- A classe burguesa, diante da obra realista, vê-se, como se em um espelho, desnudada.

- A finalidade da obra é a “reforma dos costumes” da burguesia, classe responsável pelo destino político, econômico, social e moral do país.

- O papel do escritor é agir como “homem de bem”, lúcido, consciente, que aponta os males de sua sociedade: “Artista vingador” – aquele que precisa punir os vícios para expurgá-los.

ANÁLISE DA OBRA

- O Primo Basílio possui um enredo que se subdivide em dois “núcleos”, duas linhas.

1º - A ação principal: focaliza o casamento, principal instituição burguesa, atingida duramente pela prática do adultério.
2º - O pano de fundo: povoado por “famosa” galeria de tipos      sociais, que representam o retrato deprimente da sociedade da época.

- Os dois planos são complementares e servem para ilustrar a tese determinista de que o meio corrompe o indivíduo: “o indivíduo é herança do meio e da educação” – Taine.

- A ação central ocorre em torno do triângulo amoroso: Jorge, Luísa e Basílio.
- O casamento de Jorge e Luísa não se assenta sobre bases sólidas, promovendo ensejo ao adultério.

- Luísa é “burguesinha” bonita, loira e desmiolada, entretém-se com a leitura de romances românticos.

- O Espaço: é fechado - são os ambientes internos da casa – transpira comodidades e facilidades degeneradoras. É descrito minuciosamente, conforme a doutrina realista, oferecendo informações importantes para que se entendam as características psicológicas das personagens.

- Sala: palco social.
- Quartos: templo da intimidade burguesa.
- Fundos: local onde vive a classe subalterna, cujo trabalho “sustenta” o “modus vivendi” burguês.

- Narrador onisciente, em 3ª pessoa, que filtra a história a partir de uma perspectiva analítica e crítica. “Move-se lentamente através do cenário”, descrevendo-o minuciosamente. (marca queirosiana)

- Tempo: cronológico e, portanto, com narrativa linear. Final do séc. XIX.

- Espaço: Lisboa

- Personagens – “desfile de tipos”:

- Luísa: protagonista, casada com Jorge. Mulher ociosa, fútil, que passa seu tempo distraindo-se com a leitura de romances românticos e a com a leitura da coluna social dos jornais.

- Jorge: indivíduo equilibrado, “robusto, de hábitos viris”, engenheiro de minas do Ministério das Obras Públicas, investidor. De vida regrada, conservador, herdou rendas e o sobrado onde vive com Luísa. Inicialmente crê que o adultério deve ser punido, mas muda de ideia ao final da história.

- Basílio: rico e de boas feições, é também frívolo, arrogante, cínico e mulherengo, um verdadeiro janota. Refere-se sempre com desprezo ao que vê em Lisboa, exaltando Paris. Na juventude, tivera um romance com a prima (Luísa), porém fora obrigado, por questões financeiras, a fazer negócios no Brasil, onde conseguiu reaver sua fortuna.

- Juliana: antagonista de Luísa, representa o oprimido, é empregada (criada de dentro) na casa do casal, onde é maltratada por Luísa. Trabalhara para a tia de Jorge e, por não ter sido citada na herança, tornou-se revoltada, estigmatizando os “patrões”, a quem, de modo geral, passou a odiar. Não há, contudo, da parte dela, “solidariedade de classe”, apenas o interesse com sua própria sobrevivência.
Ao saber do adultério da patroa, rouba-lhe algumas cartas com o intuito de chantageá-la. Morre do coração.
Magra, solteirona, virgem e feia – “tripa velha”, “isca de tripa”, “saca rolhas”, “fava torrada”. Tem fixação na beleza dos próprios pés e compra sempre botinhas com seu soldo.

- Joana: a cozinheira da casa de Jorge. Quanto tem oportunidade, recebe seu amante.

- Leopoldina: é amiga, confidente de Luísa, e conta-lhe os pormenores de seus vícios e das experiências com seus amantes, servindo como uma péssima influência a essa última. Por conta de sua fama de “Quebrais” e “Pão-e-Queijo”, ela desperta sempre a desconfiança de Jorge. Era filha de um visconde devasso. Estudara com Luísa na mesma escola, tendo sido também sua vizinha. Possui olhos negros e belos (sedutores).

- Sebastião: amigo de Jorge, é um homem de boa índole. Sua  modéstia, sinceridade e honestidade conferem-lhe uma aura conservadora e que não se alinha às demais personagens. É criticado por Basílio por sua aparência fora de moda. É financeiramente bem de vida.

 -  Conselheiro Acácio: falso moralista, representa a hipocrisia burguesa. Mantém um relacionamento com a própria empregada e faz uso de uma linguagem empolada e superficial. Gosta de gabar-se de uma influência que não possui.

- D. Felicidade: possui boa situação econômica e considerável posição social. Com cinquenta anos, Gorducha e sofrendo de gases, sonhava com o casamento, embora já tivesse passado da idade. Sua vida amorosa é repleta de desilusões. Quando moça, fora noiva de um oficial que acabou falecendo; depois fora apaixonada por um padeiro, que casou-se com outra. Teve então por companhia um cão, Bilro, morto por uma ex-empregada vingativa.  Cão empalhado passou a enfeitar sua sala. Sua última desilusão foi Conselheiro Acácio, por quem nutriu uma atração física relativamente forte, principalmente no que dizia respeito à calvice do velho. D. Felicidade vai para um convento ao desiludir-se com Acácio, ao descobrir seu caso com a empregada.

-  Julião: médico pobre, usa roupas puídas. É parente afastado de Jorge e frequenta-lhe a casa. Denomina-se socialista, mas almeja um emprego público. Está longe de possuir consciência de classe e seus interesses, em verdade, resumem-se a si mesmo e à possibilidade de arranjar-se financeiramente.

- Ernestinho Ledesma: é um primo de Jorge que escreveu uma peça de caráter romântico, a qual cria intratextualidade no romance de Eça.

CONTEÚDO RESUMIDO DOS CAPÍTULOS

CAP. I – Apresentação do casal e da antipatia entre patroa e criada

Apresenta-se uma cena prosaica:
Jorge fuma um cigarro enquanto Luísa lê o jornal. Ele está aborrecido por ter de viajar no dia seguinte a trabalho, pois era engenheiro de minas. Seria a primeira vez que ficaria distante de Luísa, sua esposa.
Luísa lê no Jornal que seu primo Basílio está de volta a Lisboa. A partir de então, (flashback) ela recorda do romance que tivera com ele, da crise econômica pela qual o primo passara e do rompimento dos dois. Três anos depois ela conhecera Jorge, que se apaixonara por “seus cabelos louros, pela sua maneira de andar, pelos seus olhos castanhos muito grandes” e a pedira em casamento.
Seu bom amigo Sebastião (Sebastiarrão) tinha dito: “Casou no ar! Casou um bocado no ar!”.
Há três anos estavam casados.
Luísa achava o marido bonito “olhava muito para os maridos das outras, comparava, tinha orgulho nele”.
Juliana, a criada, aparece com os coletes de Jorge, não tivera tempo de colocá-los em goma. Luísa se aborrece.
Jorge sai para uma volta.
Chega Leopoldina, conta a Luísa sobre o novo amante, um poeta, rapaz belo, porém pobre.
Ao voltar, Jorge fica sabendo da visita da “Pão-e-Queijo”, pois é informado por Juliana. Não quer mais que Luísa a receba.
Luísa discute com Juliana.

CAP. II – Pano de fundo – apresentação dos tipos sociais

Cavaqueira de domingo. Vêm Julião, D. Felicidade, Acácio, Ernestinho Ledesma (Honra e Paixão).
Ernestinho fala de sua peça, em que uma mulher adúltera, segundo seu enredo, deve morrer ao final. Comenta que seu empresário não aceita esse desfecho. Jorge, no entanto, acha-o mais apropriado, pois a mulher adúltera deve ser punida com a morte.
Depois chega à reunião Sebastião, a quem Jorge recorre, pedindo que aconselhe Luísa para não receber Leopoldina.

CAP. III e IV – Criação do conflito

Luísa resolve visitar Leopoldina 12 dias após a viagem de Jorge. Aborrecia-se com a solidão.
Juliana recebe de Luísa a autorização para ir consultar um médico, pois a empregada sofria com enjoos e “peso no coração”. Quando esta está prestes a sair, chega Basílio. Este corteja a prima, gaba-se, critica os portugueses.
Quando vai embora, pensa: “Que bonita que está! (...) E eu, pedaço de asno, que estava quase decidido a não vir ver! Está de apetite! Está muito melhor! E sozinha em casa; aborrecidinha talvez!”
Na volta de Juliana, as empregadas conversam, e o narrador apresenta o passado de Juliana.
Numa tarde, Basílio faz uma nova visita à prima, e desperta suspeitas em Juliana, que começa a ficar atenta à possibilidade do adultério da patroa. Ele traz um embrulho e uma “rosa ao peito”, trata Luísa por “tu”.
Sebastião chega para uma visita, mas não entra, pois Luísa estava com Basílio.
No dia seguinte, nova visita de Basílio. Juliana é informada por Luísa que se trata de um primo. A criada decepciona-se.
Julião visita Luísa e sente-se mal, inferiorizado, na presença de Basílio. Uma nova visita, conselheiro Acácio. Basílio é constrangido a cantar ao piano. Após a saída de Acácio, Basílio pede a Luísa que também cante. Tocam a campainha, “não era ninguém”. Basílio fica aborrecido, pois queria ficar a sós com a prima; esta pergunta-lhe por quê. Ele, “com um movimento brusco, passou-lhe o braço por sobre os ombros, prendeu-lhe a cabeça e beijou-a na testa, na testa, nos olhos, nos cabelos, vorazmente”. Ela resiste, e ele confessa seus “sentimentos” a ela. Voltam a conversar, e ele a ataca novamente, beija-lhe os lábios, profundamente; os lábios dela se entreabrem; seus joelhos dobram-se. Vem-lhe, no entanto, nova “onda de pudor”, Ela pede-lhe que se vá. Basílio promete voltar no dia seguinte.
Juliana informa a patroa de que Sebastião foi quem tocara a campainha.
O bom amigo de Jorge ficara aborrecido, pois apesar de saber que a visita era de um parente, sabia também que já se “murmuravam suspeitas” na vizinhança.
Luísa recebe uma carta do marido, e os sentimentos de vergonha e culpa tomam conta dela. Resolve escrever, portanto, a Basílio, para que o primo a deixe em paz.
Basílio, entretanto, a visita novamente e alega ter vindo de Paris unicamente para vê-la. Convida-a para um passeio no campo.
Sebastião conversa com Julião, cuja opinião é de que Basílio esteja “desfrutando a prima”.

CAP. V – Caminhos da sedução e da perdição

Numa manhã, Juliana passa mal, reclama do excesso de trabalho, das muitas roupas da patroa, das pontadas no coração. Vai ao médico.
Luísa também sai.
Joana recebe o carpinteiro, Pedro.
“Aquela casa vai-se tornando um prostíbulo!” – comenta Sr. Paula com Helena.
Mais um passeio dos primos. Mais uma vez Basílio investe, estão ocultos pelas cortinas de uma carruagem. Luísa deseja, mas não quer.
Após o ocorrido, Basílio conta sobre seu progresso com a prima ao amigo e visconde - Reinaldo. Este lhe pede que apresse a sedução; quer ir logo à Escócia. “Viola-a. Se ela te resiste, mata-a”.
Na volta do passeio, Luísa encontra Sebastião, estava à espera. Gostaria de alertá-la sobre a maledicência da vizinhança, mas a preocupação com a enxaqueca de Luísa o faz calar.
Basílio não visita Luísa no dia seguinte, o que a leva a escrever-lhe.
Sebastião a visita e a alerta sobre os comentários, ao que ela se defende, irritando-se.
Mais tarde, Leopoldina a visita. Ambas bebem vinho e champanhe. Às nove chega Basílio, diz que veio para se despedir. Essa era na verdade uma desculpa para ser recebido tão tarde. Investe mais uma vez contra ela, que se entrega dessa vez. Chega Juliana, e Basílio diz a “amada” que conseguirá um lugar, uma casa, para que se encontrem sem despertar suspeitas.
Juliana começa a procurar pistas pela casa.
Basílio vai correndo contar a Reinaldo as novidades.

CAP. VI – O trunfo de Juliana

Juliana acorda disposta, trabalha ativamente e encontra o que procura: algo com que possa chantagear a patroa -, um bilhete de Luísa para o primo, um papel amarrotado.  “Por que não vens?... se soubesses o que me fazes sofrer!”.
Juliana passa a servir com falsa reverência a patroa. Esta, contudo, vê-se absorta pelo novo romance, entrega-se à troca de correspondências apaixonadas, até que sente falta de uma das cartas. Indaga à Juliana se esta havia jogado fora o lixo de papéis...
Mais tarde, Luísa comparece ao primeiro encontro com o agora amante Basílio. Vai ao Paraíso, um quartinho feio e desagradável. E a ele retorna muitas vezes, diariamente.
D. Felicidade torcera o pé. Sebastião visita Luísa para avisá-la e utiliza o fato para desculpar à vizinhança as constantes saídas da amiga.
Basílio vai perdendo o interesse na prima e começa a agir com descaso, frustrando alguns encontros sem nem mesmo avisar.
Cria-se uma rotina: sai a patroa, sai Juliana, fica Joana e chega o carpinteiro...
Juliana visita tia Vitória. 

CAP. VII – Ironia queirosiana e o começo do fim

Luísa depara-se com Ernestinho ao ir ao encontro de Basílio. Ele lhe informa que mudara o final da peça, a mulher adúltera seria perdoada.
A relação de casal de amantes começa a ficar conturbada e um dia, contrariada por causa de um desencontro com Basílio, Luísa briga com Juliana por encontrar seu quarto desarrumado ao voltar para casa. Demite a empregada.
Juliana então, em um ataque de ira, revela à Luísa que está de posse de algumas cartas. A patroa cai desmaiada.

CAP. VIII – Chantagem e deserção

Joana e Juliana cuidam de restaurar a lucidez da patroa, mas, quando esta já está em posse de si, Juliana está em seu quarto; alega mal-estar. Joana se encarrega dos afazeres da criada.
Luísa passa a desejar a morte de Juliana e ao mesmo tempo uma fuga com Basílio.
Juliana vai a tia Vitória, que lhe recomenda cobrar um conto de réis pela devolução das provas. A própria Vitória se incumbirá de fazer uma cópia da carta de amor para enviar a Basílio.
Basílio, informado sobre o que se sucedera, diz a Luísa que só aceitaria ajudá-la se o caso fosse de dar dinheiro.
Reinaldo aconselha que Basílio rompa suas relações com Luísa por carta e desapareça de Portugal.
Basílio visita a prima e arranja a desculpa de que tem de voltar a Paris.
Juliana, percebendo que isso seria um obstáculo à cobrança da chantagem, diminui o valor pedido para seiscentos mil réis, cobrando-o diretamente de Luísa, que, arrasada, não tem meios para pagar-lhe.

CAP. IX – Ironia entre sonho e realidade

Começa um acordo tácito entre vítima e algoz enquanto não há dinheiro para pagar o silêncio de Juliana.  Luísa presenteia-lhe com seus vestidos, trata-a bem, mima-a.
Certa noite, a patroa que vai tornando-se criada, sonha que está na peça de Ernestinho. É ferida por Jorge. Quando está prestes a morrer, ouve uma voz conhecida. Era Jorge que, em realidade, abraçava-a libertando a amada esposa de seu pesadelo. Finalmente chegara de viagem.

CAP. X – Prosperidade de Juliana

Jorge estava feliz por retornar, contava a Luísa sobre o trabalho e as novas amizades. Perguntou de Basílio; Luísa assustou-se e deixou escorregar o prato. Disse ao marido que o primo a visitara poucas vezes.
Passados alguns dias da volta do patrão, Juliana, amável, foi conversar com Luísa. Pedia para mudar-se de quarto, o quarto reservado a guardar os baús estava em melhores condições. Luísa convence Jorge a consentir ao pedido da criada. Esta, então, começa a queixar-se dos vestidos, pede uma cômoda... Ganha colchão, um tapete para os pés, vasos etc. Sua prosperidade é visível, chamando a atenção de Joana, de D. Felicidade e de Jorge. A desculpa de Luísa era a outrora dedicação de Juliana à tia de Jorge. Juliana regalava-se, mas também dedicava-se à casa.
Contudo, sem mais podendo ganhar, Juliana decidiu que era o momento então de gozar a vida. Passou a acordar tarde, sair e voltar sem dar muita satisfação.
Para compensar a ausência de Juliana, Luísa convenceu Joana a desempenhar algumas funções da outra. Pouco depois, estava a própria patroa a completar o serviço da empregada. Luísa ficava cada vez mais abatida, refugiando-se à noite no amor de Jorge.
Um dia Jorge desentendeu-se com Juliana por causa de uma camisa mal-passada, e o episódio originou um conflito entre Luísa e a empregada. Luísa saiu para recorrer à Leopoldina, que sugeriu à amiga que arrumasse dinheiro com o Castro. Luísa ficou indignada com a proposta. Ambas choraram.
Como Juliana temia pelas ações da patroa, resignou-se a fazer algumas de suas obrigações.

Cap. XI – Desconstruindo as aparências nos bastidores sociais

- Conselheiro Acácio foi nomeado ao Grau de Cavaleiro da Ordem de S. Tiago e faz um jantar para celebrar.
- Comparecem Jorge, Sebastião e Julião;
- As descobertas de Julião;
- Conselheiro Acácio e sua criada Adelaide;
- Julião emite sua opinião sobre o casamento:
“O casamento é uma fórmula administrativa, que há um dia de acabar...”  A fêmea era um ente subalterno; o homem deveria aproximar-se dela em certas épocas do ano para fecundá-la e afastar-se com tédio - como fazem os animais, que compreendem essas coisas melhor do que os humanos.

- Joana e Juliana conversaram sobre a patroa, que do ponto de vista de Joana era uma verdadeira santa, por ajudar nos trabalhos da casa.

- Luísa começou a adoecer de fraqueza.
- Um dia Jorge volta mais cedo para casa e encontra Luísa varrendo. Irrita-se com ela.
- Em outro dia, quem desmaia é Juliana, que sofria do coração.
- Jorge começou a temer que Juliana morresse em sua casa e começou a considerar a hipótese de demiti-la. Luísa, por sua vez, temia que isso acontecesse, ela não conseguiria se livrar da chantagem
- Resolveu falar com Leopoldina para conseguir o dinheiro com Castro.
- Luísa, diante da voracidade sexual do banqueiro, arrependeu-se, ficando sem o dinheiro necessário.
Cap. XII – Demissão de Joana e auxílio de Sebastião

Jorge foi trabalhar, esquecendo-se de que naquele dia a secretaria estaria fechada. Voltando para casa bem antes do esperado, deparou-se com a Juliana à sala, deitada comodamente, lendo jornal. Luísa estava, no entanto, de roupão, despenteada, passando roupa no quarto de engomados, no fundo da casa. Jorge perdeu a paciência com Luísa e só calou seus questionamentos porque a esposa começara a chorar. A desculpa de Juliana é que estava sofrendo com palpitações.
Daquele dia em diante, Jorge começou a ficar irônico com Juliana e também com Luísa. A empregada, temendo a piora da própria saúde e a possibilidade de ser expulsa da casa, voltou a trabalhar.
Jorge continuou ironizando Luísa e, por um desentendimento, ela disse que, se era para continuar com aquela implicância, seria melhor mandar Juliana embora.
No dia seguinte, Juliana não havia arrumado a mesa do café e saíra cedo. Ao voltar, na hora do almoço, Juliana foi repreendida por Luísa, que disfarçava, diante de Jorge, ter alguma autoridade sobre a criada. Luísa deu uma ordem à Juliana para que enchesse o bule de água, contudo não foi ouvida. Jorge, então, esmurrou a mesa. Decidira que a empregada deveria ir embora da casa. Luísa deveria fazer as contas para que Juliana partisse naquele mesmo dia.
Quando Luísa procurou Juliana, ambas discutiram, e Juliana a chamou de “puta” - estavam diante de Joana. A cozinheira, tomando as dores da patroa, agrediu Juliana com uma bofetada.
Juliana, mais tarde, acuando a patroa no corredor que dava para os quartos, ameaçou contar tudo a Jorge caso Joana não fosse demitida.
Joana então foi demitida, ainda que Luísa lhe implorasse desculpas e a recompensasse com algum dinheiro de suas economias.
Após o acontecimento infeliz, Luísa recorre a Sebastião, seu último refúgio, a única pessoa digna em que poderia confiar.
Ele lhe expõe um plano...
Não há más mulheres, minha rica senhora, há maus homens, é o que há!” (Sebastião)

Cap. XIII -  O plano parece sair melhor do que o esperado 

Como planejado, Luísa, o marido e D. Felicidade foram ao teatro assistir à peça Fausto (intratextualidade – Basílio havia cantado uma ária da peça na casa de Luísa). Conselheiro Acácio os encontrou no teatro por acaso.
Enquanto isso, Sebastião foi até a casa de um primo afastado (comissário de polícia) e pediu-lhe um policial para “meter medo em alguém”. Foi-lhe indicado o Mendes.
Em pouco tempo já estavam à porta da casa de Jorge. Juliana atendeu a porta. Ameaçando-a com a prisão, Sebastião pediu-lhe as cartas. Juliana tirou uma carteirinha do peito e atirou-lhe nervosa. Sebastião pagou Mendes e mandou Juliana partir, uma vez que fora despedida. Juliana disse que contaria tudo a Jorge, mas Sebastião mandou-a calar-se, dando um murro na mesa. Juliana cuspiu no rosto de Sebastião, contudo, logo após, arqueou-se para trás, levou as mãos ao coração e caiu no chão – estava morta. 
Julião foi chamado, mais tarde chegaram D. Felicidade e o casal.
Sebastião cuidou dos detalhes.
Jorge e Luísa não dormiriam na casa.
Sebastião deu as cartas a Luísa.

Cap. XIV – Peripécia: a revelação

Luísa teve febre à noite, via Juliana ressuscitada.
No dia seguinte Juliana foi levada ao cemitério, para a vala dos pobres.
Dois dias depois, já havia uma nova criada, Mariana. Luísa estava feliz, queimara as cartas. Mas a febre voltara e a debilitava. Julião foi chamado.
Chegou uma carta da França, era para Luísa. Jorge a pegara com Mariana. Não resistiu e resolveu abri-la.
Na carta, Basílio mencionava os entraves com a criada – mandaria o dinheiro se necessário -, os momentos passados no “Paraíso”, despedia-se com um “longo beijo”.
Jorge pensou em matar a adúltera, mas temia por sua saúde fragilizada.
Luísa chamou-lhe ao quarto. Ao seu lado, Jorge chorou. Julião o retirou do quarto. E Jorge começou a imaginar as cenas de traição. À noite, conversou com Sebastião, que negou saber o que fosse a respeito do caso.
Três dias passaram-se e a febre não cedia. A imaginação continuava a torturar Jorge. Os amigos faziam visitas.
Após uma semana, Luísa melhorou, mas estava bastante fraca, chegou a desmaiar. Comunicou-lhe que gostaria de tirar o divã da sala, e foi o que bastou para que Jorge desconfiasse que fora ali cometida parte da traição.

Cap. XV – Palavras libertinas nos últimos delírios

Jorge sentia como se todos soubessem sobre o adultério, até os desconhecidos. Luísa, entretanto, estava melhor. Ela desejava saber por que Jorge estava diferente, insistia. O marido disse-lhe que estava angustiado e, não suportando mais, deu-lhe a carta de Basílio. Luísa abriu a carta, reconheceu a letra de Basílio e, adivinhando-lhe o conteúdo, de um modo desvairado, desmaiou.
Quando Luísa voltou a si, Jorge pediu-lhe perdão, disse que não queria saber mais de nada. Contudo, Luísa já não estava realmente bem, sua cabeça doía muito.
Em pouco tempo, ela começou a delirar, falou o nome de Jorge, de Basílio, de Leopoldina, pediu champagne e disse palavras libertinas, como se estivesse com Basílio no Paraíso. Jorge fugiu do quarto, chorou.
Pouco tempo depois, Luísa morria.

Cap. XVI – Ironia queirosiana

Após o enterro, Jorge foi morar com Sebastião.
Conselheiro Acácio escreveu o necrológio de Luísa e, em conversa com Julião, ficou sabendo que D. Felicidade, ao ter ciência de seu romance com a empregada, se recolheria a um convento.
Acácio não se comoveu, foi para casa, para junto de Adelaide – que acreditava ser sua, mas que era também de Arnaldo, um caixeiro.
Basílio chegou a Lisboa com Reinaldo, dois dias depois foi procurar a prima. Ficou sabendo por Paula, um vizinho, sobre a morte de Luísa.
Reencontra Reinaldo e, em uma paisagem alegre (desvinculação realista entre paisagem e ação), comenta sobre o ocorrido com a amante. Ao final, lamenta não ter trazido com ele a “Alphonsine”. 

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