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16 de set de 2013

São Bernardo - Graciliano Ramos

SÃO BERNARDO – GRACILIANO RAMOS








Narrador-personagem: Paulo Honório, que conta a própria história em tom confessional.

Narração "circular": a estória começa no mesmo ponto em que termina, com o protagonista tratando a respeito da narração do livro, na tentativa de escrever sobre sua vida na busca de encontrar um sentido para ela.

Temas: a vida no interior de Alagoas; coronelismo; ciúme; ambição.

Espaço: fazenda de São Bernardo, interior de Alagoas.

Tempo: início do séc. XX.

Linguagem: coloquial e regional, objetiva; pouco descritiva (ausência de adjetivos); imitação da linguagem de um homem de pouca instrução, rude - Paulo Honório.

No início do livro, o autor emprega a função metalinguística, sendo que o protagonista demonstra sua preocupação de que o livro o represente até mesmo na forma como ele fala e pensa: tanto a história quanto a forma de expressá-la devem ser suas.

PERSONAGENS:

Paulo Honório: personagem central e narrador do livro. Órfão, teve uma infância sofrida e tornou-se homem rude e violento, dedicando sua vida ao trabalho até tornar-se um verdadeiro "coronel". Para conseguir o que queria, não mediu esforços nem meios, vindo a praticar diversos atos antiéticos no intuito de prosperar materialmente. Demonstra ser amoral.

Negra Margarida: doceira que cuidou de Paulo Honório durante a infância.

Salustiano Padilha: ex-dono da fazenda São Bernardo e pai de Luís; desejava que o filho se tornasse bacharel, algo que não ocorreu.

Luís Padilha: após a morte do pai, herdou a fazenda, mas se entregou à bebida, jogos e às mulheres. Vítima dos planos de Paulo Honório, vê-se endividado e é obrigado a vender a fazenda. Mais tarde é contratado como professor da escola rural, a qual Paulo Honório manda construir para agradar o governador. Paulo Honório sente sádico prazer em humilhar o ex-proprietário de São Bernardo.

Madalena: professora primária que fora criada pela tia. Casa-se com Paulo Honório. Instruída e educada, tem opinião própria e forte, o que desagrada a seu marido. Contraria-o ao demonstrar benevolência com os funcionários da fazenda, por quem passa a ser querida.

Dona Glória: tia de Madalena, que, com o casamento da sobrinha, passa a morar em São Bernardo. Faz amizade com Ribeiro e desperta a antipatia de Paulo Honório, que a considera desocupada.

Seu Ribeiro: foi homem muito respeitado em sua cidade, em outros tempos, quando não havia juízes e ele representava a lei. Com as transformações por que passou o sertão, perdeu sua importância, foi deixado pelos filhos e resolveu mudar-se para a capital. Lá conheceu P.H. que o convidou a trabalhar como guarda-livros na fazenda. Trabalha com Madalena e é quem mais dá atenção à D. Glória.

Joaquim Sapateiro: ensina Paulo Honório a ler na prisão.

Azevedo Gondim: jornalista, amigo de Paulo Honório. Havia sido encarregado de escrever as histórias do narrador, mas por utilizar uma linguagem mais erudita, desentende-se com Paulo Honório.

Casimiro Lopes: amigo antigo de Paulo, desempenha o papel de jagunço em sua fazenda. É também quem tem mais afeição ao filho do patrão.

Mendonça: dono da fazenda Bom-Sucesso, é assassinado para que Paulo Honório consiga reaver terras cujas demarcações foram desrespeitadas pelo fazendeiro.

Dr. Magalhães: juiz e amigo de Paulo Honório.

Pe. Silvestre: faz parte do círculo de relações de P.H., gosta de conversar sobre política e costuma repetir opiniões que lê nos jornais, ainda que muitas vezes sejam contraditórias ou inconsistentes.


RESUMO:
Criado por uma negra doceira, Paulo Honório foi um menino órfão que guiava um cego e vendia cocadas durante a infância para conseguir algum dinheiro. Depois começou a trabalhar na roça, onde foi trabalhador de eito até os dezoito anos. Nessa época, ele esfaqueia João Fagundes em uma briga por causa de mulher. Então é preso e,durante esse período, aprende a ler com o sapateiro Joaquim. A partir de então desenvolve a obsessão por ganhar dinheiro. Decide aprender matemática, o suficiente para não ser enganado nas contas.
Saindo da prisão, Paulo Honório pega emprestado com o agiota Pereira uma quantia em dinheiro e começa a negociar gado e todo tipo de coisas pelo sertão. Assim, ele enfrenta toda sorte de injustiças, fome e sede, passando por tudo com muita frieza e utilizando de meios antiéticos, como ameaças de morte, agiotagem e roubo para prosperar. Após conseguir juntar algumas economias, retorna a sua terra natal, Viçosa, com o desejo de adquirir a fazenda São Bernardo, onde tinha trabalhado.
Para tanto, Paulo Honório tem um plano e inicia uma amizade falsa com Luís Padilha, herdeiro de São Bernardo. Luís era um moço apaixonado por jogo, mulheres e bebida, e aos poucos Paulo consegue conquistar a confiança dele. Inexperiente, Luís Padilha pega dinheiro emprestado com P.H., que o iludira, ao fazê-lo acreditar que poderia fazer prosperar sua propriedade. Agindo como agiota, Paulo consegue comprar a fazenda São Bernardo por um preço irrisório.
Com a ajuda de seu amigo Casimiro Lopes, Paulo Honório manda matar Mendonça, fazendeiro vizinho, e consegue expandir os limites das terras da São Bernardo. Através de empréstimos bancários, investe em máquinas e na plantação de algodão e mamona. Para escoar seus produtos, Paulo Honório constrói estradas e passa a se dedicar cada vez mais ao trabalho. Ao seu legítimo esforço para prosperar, ele mistura ações antiéticas e vale-se de seus relacionamentos com pessoas do local, como: Gondim, o jornalista local; o padre Silvestre; e o advogado Nogueira, que manipula os políticos locais.
Com a fazenda em ótima situação, Paulo Honório contrata o Seu. Ribeiro para cuidar da contabilidade, contrata Luís Padilha como professor e constrói uma escola para alfabetizar os empregados e agradar ao governador do Alagoas. Além disso, manda buscar a negra doceira que o havia criado, a velha Margarida, arranjando moradia para ela na São Bernardo.
Um dia Paulo Honório percebe que precisa de um herdeiro para suas ricas terras e resolve se casar. Pensa nas filhas e irmãs de seus amigos, mas nenhuma lhe agrada. Então, um dia conhece a professora primária Madalena na casa do juiz Magalhães. Da mesma forma determinada como conseguiu obter e administrar sua propriedade, Paulo Honório convence Madalena a se casar com ele.
Após o casamento, tanto a moça como a tia dela, Glória, mudam-se para a fazenda. É quando o rico fazendeiro vai percebendo que a rotina na São Bernardo começa a se alterar. Madalena se interessa pela vida dos empregados e dá opiniões sobre as condições precárias do professor Padilha, exigindo a compra de materiais escolares. Além disso, ela passa a dividir as tarefas de escrituração com Ribeiro.
Paulo Honório, que imaginava Madalena como uma normalista frágil, incomoda-se profundamente com o comportamento da moça, o que gera as primeiras brigas do casal, evidenciando a personalidade violenta do fazendeiro. Não conseguindo dominar a mulher como controlava todos, Paulo Honório se torna cada vez mais agressivo com todos e revela um ciúme excessivo. Mesmo o nascimento do filho não ameniza o que sente a respeito de Madalena além das desconfianças de traição.
Certa noite, o juiz Magalhães visita o casal e conversa animadamente com Madalena. Isso deixa Paulo Honório com mais ciúme ainda; atormentado, perde o sono ao imaginar o prazer que um intelectual poderia despertar na esposa. Comparando-se ao juiz, sente-se bruto e inculto, e chega à conclusão de que a traição seria inevitável.
No dia seguinte, Paulo Honório vê a esposa muito abatida escrevendo uma carta direcionada a Azevedo Gondim, e novamente se descontrola exigindo explicações. Ela então rasga a carta e o chama de assassino. Depois, ele se arrepende do que fez, mas não esquecendo o insulto recebido, convenceu-se de que Padilha havia contado algo para Madalena e resolve expulsá-lo. Porém, o professor diz que é fiel e obediente a Paulo Honório, e que ela deve ter ouvido as histórias por meio da população local.
Paulo Honório vai ficando cada vez mais paranoico em relação à suposta infidelidade da mulher e se deixa torturar ao som de passos imaginários durante a noite e outros delírios. Enquanto isso, Madalena sofria e sua solidão só aumentava, sentindo-se humilhada e sem dignidade, o que a levou a perder o interesse pelo próprio filho.
Um dia Paulo Honório, ao contemplar orgulhoso sua propriedade do alto do telhado, vê Madalena escrevendo. Ele desce, confere o trabalho dos empregados e acha uma folha no chão. Lendo e relendo o trecho escrito, Paulo Honório tem certeza de que é uma carta endereçada para um homem; é tomado por intenso ódio.
Sai atormentado à procura da esposa e a encontra na igreja com uma aparência muito calma. Ele exige explicações, mas ela lhe diz muito desanimada que o restante das folhas estava no escritório. Por fim, ela lhe pede perdão por todos os aborrecimentos e diz que o ciúme estragou a vida dos dois. Paulo Honório passa a noite sozinho no banco da sacristia.
Chegando a sua casa, no dia seguinte, ele ouve gritos e descobre que Madalena havia se suicidado. Ela havia deixado sobre a bancada uma carta de despedida para o marido, sendo que faltava uma página, justamente aquela que ele havia encontrado no chão no dia anterior.
Após a morte de Madalena, D. Glória e Ribeiro deixam a fazenda. Luís Padilha junta-se os revolucionários para lutar na Revolução de 30 e também deixa São Bernardo. O juiz Magalhães é afastado do cargo e os limites da fazenda passam a ser contestados judicialmente; Paulo Honório se encontra abandonado.
Por fim, em meio à solidão, vive somente com a companhia de Casimiro Lopes e seu cachorro. É quando resolve escrever sua narrativa. Amargurado pelo passado, toma consciência da desumanização por que passou enfrentando a dureza do sertão. Incapaz de mudar, Paulo Honório busca algum sentido para a sua vida, refletindo sobre o passado e escrevendo sua história sentado à mesa da sala, fumando cachimbo e bebendo café.

Sobre Graciliano Ramos
Graciliano Ramos de Oliveira nasceu em Quebrangulo, Alagoas, em 27 de outubro de 1892. Terminando o segundo-grau em Maceió, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como jornalista durante alguns anos. Em 1915 volta para o Alagoas e casa-se com Maria Augusta de Barros, que falece em 1920 e o deixa com quatro filhos.
Trabalha como prefeito de uma pequena cidade interiorana, sendo convencido por Augusto Schmidt a publicar seu primeiro livro, "Caetés" (1933), com o qual ganhou o prêmio Brasil de Literatura. Entre 1930 e 1936 morou em Maceió e seguiu publicando diversos livros enquanto trabalhava como editor, professor e diretor da Instrução Pública do Estado. Foi preso político do governo Getúlio Vagas enquanto se preparava para lançar "Angústia", que conseguiu publicar com a ajuda de seu amigo José Lins do Rego em 1936. Em 1945 filia-se ao Partido Comunista do Brasil e realiza durante os anos seguintes uma viagem à URSS e países europeus junto de sua segunda esposa, o que lhe rende seu livro "Viagem" (1954).
Artista do segundo movimento modernista, Graciliano Ramos denunciou fortemente as mazelas do povo brasileiro, principalmente a situação de miséria do sertão nordestino. Adoece gravemente em 1952 e vem a falecer de câncer do pulmão em 20 de março de 1953, aos 60 anos.
Suas principais obras são: "Caetés" (1933), "São Bernardo" (1934), "Angústia" (1936), "Vidas Secas" (1938), "Infância" (1945), "Insônia" (1947), "Memórias do Cárcere" (1953) e "Viagem" (1954).

Adaptado do site: www.guiadoestudante.com.br


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