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PROPOSTAS E MODELOS PARA ENEM

TODAS AS PROPOSTAS E MODELOS RELACIONADOS NESTA POSTAGEM SÃO DO AUTOR DO BLOG E NÃO PODEM SER COMERCIALIZADOS EM MATERIAL DIDÁTICO VIRTUAL ...

29 de dez. de 2020

LIVE SOBRE EAD E ENSINO DOMICILIAR (HOMESCHOOLING)

 


PROPOSTA: ENSINO A DISTÂNCIA

 

PROPOSTA – ENSINO A DISTÂNCIA - EAD                           - PROF. LEO

 

TEXTO 1

 

          A educação a distância é uma modalidade educacional que oferece um processo completo de aprendizado de maneira dinâmica e mediada através das novas tecnologias. Mesmo separados por tempo e espaço, os alunos e os tutores EAD conseguem fazer uma integração virtual pautada na interatividade e construir um ótimo ambiente de aprendizado.

          Essa característica do EAD combina bastante com os novos padrões de comportamento das pessoas no mundo globalizado, que estão cada vez mais dinâmicas e interativas, buscando cada vez mais adquirir novas competências e aperfeiçoarem suas habilidades profissionais. Através do EAD, as pessoas puderam começar a produzir seus próprios conteúdos para ensinar terceiros e até mesmo de criarem um negócio na área. A educação a distância cresceu em ritmo acelerado e hoje se tornou um dos métodos de ensino mais completo e eficiente.

          A qualificação de profissionais

          Grande parte da importância da EAD atualmente se deve ao seu papel de quebrar várias das barreiras que impedem as pessoas de terem acesso a uma educação de qualidade, representando a importante função de ajudarem pessoas a se qualificarem como profissionais. Pessoas que muitas vezes possuem dificuldade em frequentar um curso presencial, seja por dificuldade de seguir a rotina de estudos ou por causa dos preços altos, agora estão conseguindo ter acesso ao melhor do aprendizado, em qualquer horário e em qualquer lugar.

          O ensino a distância é a solução perfeita para essas pessoas finalmente terem acesso à capacitação profissional, seja economizando gastos com transporte, por dar maior flexibilidade de tempo ou até mesmo por oferecer uma maior facilidade de acesso aos conteúdos educacionais.

          Descentralização da educação

          Outra importância da EAD é de descentralizar os polos de educação com o uso das tecnologias, quebrando as barreiras como as dificuldades de mobilidade ou distâncias geográficas. O ensino à distância permite que até mesmo as pessoas que habitam áreas remotas possam ter acesso a cursos que elas têm muita dificuldade em fazer no modelo presencial. Com a internet, a educação deixa de ser centralizada nas regiões sul e sudeste e passa a fazer parte da realidade de pessoas de todas as regiões do país.

          Inovação Tecnológica

          Material impresso, PowerPoint, imagens, videoaulas, jogos, gráficos. Existem diversas formas de transmitir conteúdos para os alunos. Com o ensino a distância, essas transmissões ficam ainda mais variadas e inovadora. Com o apoio das novas tecnologias, a importância da EAD também está em aperfeiçoar os métodos de ensino com as técnicas multimídia, promovendo discussões sobre os assuntos das aulas em fóruns, aumentando a interatividade dos alunos e na ampliação dos conteúdos através das bibliotecas virtuais.

https://www.estudiosite.com.br/site/educacao-a-distancia/qual-importancia-da-ead-atualmente

TEXTO 2

 

          A TIC Domicílios 2019, uma pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), lançada nessa segunda-feira (26), mostra que um quarto da população brasileira, ou seja, aproximadamente 30% dos lares no Brasil, não têm acesso à Internet. A informação foi veiculada pelo G1, da Globo, nessa terça-feira.

          O estudo mostra que há uma diferença significativa entre as classes sociais: em famílias com renda de até um salário mínimo, metade não consegue navegar na rede em casa. Na classe A, apenas 1% não tem conexão. Assim, sem Internet, sem merenda e sem lugar para estudar, 47 milhões de famílias brasileiras podem ter seus filhos excluídos da educação básica porque não têm acesso à educação a distância.

          Pesquisas do Cetic e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam outras dificuldades quem impedem o uso da EaD como modelo alternativo, mesmo na pandemia, de aulas. Nas classes de baixa renda, as casas não têm espaço para estudar e não contam com saneamento básico; também faltam equipamentos, como computadores, notebooks, celulares e até mesmo televisão; não há conexão com a Internet; sem contar os baixos índices de leitura entre vários outros problemas.

          Mostra também que, no magistério, falta de formação de professores para usar tecnologia na educação, há baixos índices de leitura e ausência de um método de ensino adequado à EaD. Na avaliação da diretoria colegiada do Sinpro-DF, “a discussão sobre o aperfeiçoamento profissional dos professores é outro tema que não tem tido o merecido cuidado por parte da Educação porque a preocupação do MEC e do capital é que sejam formados profissionais acríticos e adaptáveis aos seus interesses”.

https://www.sinprodf.org.br/pesquisa-mostra-que-ead-nao-tem-como-dar-certo

 

PROPOSTA

 

Com base na leitura dos textos motivadores e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma culta escrita da língua portuguesa sobre o tema “Ensino a Distância: desafios para o século XXI”. Apresente experiência ou proposta de ação, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.    Seu texto deve possuir entre 7 e 30 linhas. Cópias dos textos motivadores serão desconsideradas.

O QUE NÃO FAZER NA REDAÇÃO DO ENEM

 











MODELO: ENSINO DOMICILIAR - HOMESCHOOLING

 

MODELO

Professor em Domicílio

 

          Felizmente, o ensino domiciliar, combinado ao EaD, desempenhou relevante papel no processo de formação de crianças e jovens em países como Noruega, Suécia e Inglaterra, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial. Essa prática, contando com a didática desenvolvida para o aprendizado por correspondência e também com recursos como rádio e TV, foi imprescindível para que alunos de zonas rurais e com obstáculos gerados por questões climáticas adquirissem formação adequada. Contudo, é válido perguntar: seria o contexto social brasileiro apropriado à adoção desse modelo de ensino?

          Conforme se testemunhou nas duas últimas décadas, aparentemente, sim. Isso porque duas ondas de pais já surgiram bem atuantes nesse sentido, reivindicando o direito de instrução domiciliar de seus filhos. A primeira, talvez mais legítima, considerava, com razão, que o ensino público era incapaz de fornecer, de modo geral, bom grau de instrução a seus filhos. Já a segunda onda, de caráter mais duvidoso, formada por setores extremamente conservadores da sociedade, manifesta o desejo de apartar os filhos do convívio com as diferenças, bem como do conhecimento de ideias e contextos plurais.

          Em contrapartida, que pesem críticas a esse segundo grupo e problematizações ao primeiro, à parte dessas demandas, o também chamado homeschooling pode ser bastante válido, caso adotado para superação de certas barreiras. Nesse sentido, a própria experiência atual com a Covid-19, demonstra que estratégias institucionalizadas de ensino a distância e ensino remoto, intermediada por professores com formação adequada, estendendo o ensino ao ambiente doméstico, embora não seja ideal, têm relevância compensatória, ao permitir a continuidade dos estudos em casos especiais e adversos.

          É desejável, portanto, uma legislação que viabilize o ensino domiciliar em situações restritas, a partir de demandas específicas ou com aplicação híbrida, ou seja, junto da formação presencial, em séries adequadas. Para tanto, o MEC deve, em conjunto com secretarias estaduais e municipais de educação, estabelecer um currículo obrigatório ao ensino domiciliar, com avaliações presenciais sistemáticas e frequentes, a exemplo das experiências bem-sucedidas de outros países. Somado a isso, é imperioso se investir em tecnologias de EaD e formação de professores para trabalhar com ensino remoto. Assim, será possível equilibrar-se uma equação: em casa talvez, mas nunca sem um professor.

PROPOSTA: EDUCAÇÃO DOMICILIAR (HOMESCHOOLING)

 

PROPOSTAS DE REDAÇÃO – TEMA: HOMESCHOOLING / EDUCAÇÃO DOMICILIAR              

 

Leia a coletânea a seguir.

 

 Texto 1

 

Uma fonte do governo afirmou à BBC News Brasil que Ministério da Educação enviou à Casa Civil novo texto para posterior análise no Congresso; enquanto isso, na Câmara, emenda a MP prevê regulamentar o ensino domiciliar durante a pandemia de coronavírus.

De uma hora para outra, famílias por todo o Brasil estão conduzindo mais ativamente atividades escolares de seus filhos de dentro de casa. É um cenário próximo àquele com o qual alguns movimentos e políticos que defendem a regulamentação do ensino domiciliar no Brasil sonham há algum tempo, e que está sendo forçado temporariamente por medidas de isolamento social impostas pela pandemia de coronavírus.

Em Brasília, as mudanças trazidas pela covid-19 estão catalisando projetos de regulamentação do chamado homeschooling — pauta apontada em janeiro de 2019 como uma das metas prioritárias do governo de Jair Bolsonaro em seus primeiros 100 dias de gestão, mas cuja tramitação empacou no Congresso.

 

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2020/04/21/regulamentacao-do-homeschooling-ganha-novo-folego-em-brasilia-com-isolamento-por-covid-19.htm

 

            Texto 2

 

O QUE É EDUCAÇÃO DOMICILIAR

 

            Educação domiciliar ou ensino doméstico consiste em realizar o processo de educação em casa, não na escola. Esse modelo de educação se contrapõe à noção da educação como uma responsabilidade compartilhada entre a família e a escola, na qual caberia a essa última proporcionar o conhecimento científico/acadêmico, e à família caberia ensinar valores e outras questões mais subjetivas.

            Na educação domiciliar, a família assume por inteiro a responsabilidade de educar a criança ou jovem, sem a participação de uma instituição de ensino.

 

            São os pais que aplicam a educação domiciliar?

 

            Não necessariamente. Quando uma família opta pela educação domiciliar, ela geralmente busca maior controle sobre o aprendizado do filho. No entanto, isso não significa que os próprios pais necessariamente exercerão essa função. Além do caso em que os pais assumem a função de educadores, há ainda diversas formas de aplicar o ensino doméstico. Em alguns casos, várias famílias se reúnem e educam seus filhos em conjunto, dividindo o conteúdo a ser ensinado. Mas o ensino domiciliar nem sempre envolve a atuação dos pais como educadores. Algumas famílias optam por contratar professores particulares para que a criança ou jovem tenha aulas em domicílio.

 

            Qual o conhecimento necessário aos pais que optam por educar em casa?

 

Não é necessário que os pais tenham alguma formação em pedagogia ou áreas temáticas específicas para poder aplicar a educação domiciliar. Essa não é uma exigência porque essa prática educacional parte do pressuposto de que a criança ou jovem precisa ser auxiliada em como estudar, aprender, absorver conhecimento. Logo, os defensores dessa prática consideram que livros e materiais didáticos são base suficiente para auxiliar os pais na função de educadores.

 

            O conteúdo do ensino domiciliar é o mesmo oferecido nas escolas?

 

            Novamente, não há apenas uma maneira. Cada país pode estabelecer uma regulamentação específica de como esse ensino deve ser realizado. No Brasil, no entanto, a prática não é regulamentada. Entre os modelos possíveis de educação domiciliar, algumas famílias optam por aplicar o conteúdo de materiais didáticos de instituições de ensino. Há também quem foque em ensinar o jovem ou criança como estudar e aprender, uma abordagem mais distinta da adotada nas escolas.

            Quanto às disciplinas que devem ser estudadas, as exigências variam de acordo com as regras de cada país. É comum que o estudante seja submetido a testes de conhecimento, o que implica que alguns conteúdos sejam obrigatórios. Novamente, como o ensino doméstico não é regulamentado no Brasil, não há instruções quanto a isso.

 

           

            Por que alguns pais optam pela educação domiciliar?

 

            As razões que levam algumas famílias a adotarem esse modelo de ensino são diversas. A motivação pode ser benefícios oferecidos pelo ensino doméstico ou insatisfações com as instituições educacionais. Dentre as motivações mais frequentes, observa-se que:

            1- Há famílias que acreditam que no ambiente escolar o estudante é exposto a más influências ou manipulações;

            2- Alguns pais julgam que as instituições de ensino são de má qualidade e os educadores são mal formados;.

            3- Em alguns casos, a criança ou jovem possui necessidades específicas que dificilmente são bem direcionadas pelas escolas;

            4- Outros pais enxergam a educação domiciliar como uma forma de estabelecer um vínculo familiar e proporcionar um ambiente mais estimulante de aprendizado;

            5- Algumas famílias discordam da metodologia de ensino que costuma ser adotada nas instituições educacionais.

 

            O que a lei brasileira diz sobre o assunto?

 

            No Brasil, a legislação coloca a educação simultaneamente como um direito e um dever. De acordo com o Artigo 6° da Constituição Federal, a educação é um direito social que deve ser garantido pelo Estado. Mas os pais também compartilham da responsabilidade de garantir o acesso dos filhos à educação.

 

            Artigo 6° da Lei de Diretrizes e Bases Educacionais (LBD, 1996):

 

            “É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na educação básica a partir dos 4 (quatro) anos de idade.”

 

            A partir deste Artigo, fica estabelecida a obrigatoriedade de crianças e jovens frequentarem a escola, estando sujeitos a ações judiciais os pais que não cumprirem essa responsabilidade. Em função disso, o ensino domiciliar não seria possível.

 

https://www.politize.com.br/educacao-domiciliar-o-homeschooling-deve-ser-permitido-no-brasil/

 

 

PROPOSTA 1

 

            Com base na leitura dos textos motivadores e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma culta escrita da língua portuguesa sobre o tema “Ensino domiciliar: uma proposta mais democrática para a educação”. Apresente experiência ou proposta de ação, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

            Seu texto deve possuir entre 7 e 30 linhas. Cópias dos textos motivadores serão desconsideradas.

 

PROPOSTA 2

 

            Produza um resumo do texto 2, entre 8 e 12 linhas. Lembre-se de respeitar os elementos estruturais  pertencentes a esse gênero textual.

 

18 de nov. de 2020

MODERNISMO - 2ª GERAÇÃO

 

MODERNISMO – 2ª GERAÇÃO

Fase da Construção ou Reconstrução

 

Contexto Histórico – 1930 – 1945

 

- Quebra da bolsa de Nova Iorque - 1929

- Ascensão do Fascismo na Europa

- Guerra Civil espanhola – Ditadura de Franco

- Ditadura de Salazar – Portugal

- Mussolini - Itália

- Terceiro Reich – Nazismo

- Fim da República Velha -1930 – Era Vargas – Golpe de Estado

- Revolução Constitucionalista – 1932

- Segunda Guerra Mundial

- Bomba Atômica

 

Características Gerais:

 

- Temática intimista:

Eu frente ao mundo – Existencialismo e Subjetividade

- Temática social:

Fenômenos sociais vividos por personagens emblemáticos

 

Expressões Literárias: Prosa e Poesia

 

PROSA DE FICÇÃO

 

Prosa: Regionalista / Urbana / Intimista

 

Grupo Regionalista (ou Nordestino) – Influência de Gilberto Freyre

Regional – Universal

Realidade social nordestina e outras – Sul e Norte

Destaque para Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, José Lins do Rego e Jorge Amado

 

Graciliano Ramos (1892 – 1953)

 

- Alagoas

- Tipógrafo, comerciante, prefeito, jornalista

- Preso em 1936

- Falece em visita a URSS

 

Algumas obras:

Caetés (1933)

São Bernardo (1934)

Angústia (1936)

Vidas Secas (1938)

Dois Dedos (1945)

Insônia (1945)

Histórias Incompletas (1946)

Memórias do Cárcere (1953)

 

José Lins do Rego (1901 – 1957)

 

- Paraíba

- Graduou-se em Direito no Recife – Promotor em MG, Alagoas, Rio de Janeiro

- Obra dividida em Ciclo da Cana-de-Açúcar e Ciclo do Cangaço, Misticismo e Seca

Ciclo da Cana-de-Açúcar: Menino de Engenho, Doidinho, Banguê, Fogo Morto, Usina

 

Ciclo do Cangaço: Pedra Bonita e Cangaceiros

Outras obras:

Riacho Doce

Eurídice

 

Rachel de Queiroz (1910 – 2003)

 

- Fortaleza – Ceará

- Jornalista

 

Algumas obras:

- O Quinze (seca de 1915)

- João Miguel

- Caminho de Pedras

- As Três Marias

- Dora, Doralina

- Memorial de Maria Moura

Outras obras: teatro e crônicas (temática: política, cotidiano e papel da mulher)

 

Jorge Amado (1912 – 2001)

 

- Bahia

- Estudou Direito e atuou como jornalista

- Devido a questões políticas é preso em 1936

- Entre 1941 e 1943 – Buenos Aires

- 1945 – Deputado Federal em São Paulo

- 1947 - França

 

Algumas obras:

- Jubiabá

- Mar Morto

- Capitães de Areia

- Terras do Sem-Fim

- A morte e a morte de Quincas Berro D’Água

- Gabriela Cravo e Canela

- Dona Flor e seus dois maridos

 

Érico Veríssimo (1905 – 1975)

 

- Rio Grande do Sul

- Bancário e sócio em uma farmácia

- Secretário e redator da Revista do Globo

- Literatura e tradução

 

Algumas obras:

- Caminhos Cruzados

- Música ao Longe

- Um Lugar ao Sol

- Olhai os Lírios do Campo

- O Tempo e o Vento

- Incidente em Antares

 

POESIA

 

Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987)

 

- Itabira – MG

- Graduou-se em Farmácia

- Professor de Português e Geografia

- Jornalista e funcionário público

- Oficial de gabinete do Ministério da Educação

 

Algumas obras (Poesia):

- Alguma Poesia

- Brejo das Almas

- Sentimento do Mundo

- A Rosa do Povo

- Claro Enigma

- Lição de Coisas

(Aspectos intimistas e sociais – do particular ao universal)

 

POEMA DAS SETE FACES

 

Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem na sombra

disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

 

As casas espiam os homens

que correm atrás de mulheres.

A tarde talvez fosse azul,

não houvesse tantos desejos.

 

O bonde passa cheio de pernas:

pernas brancas pretas amarelas.

Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.

Porém meus olhos

não perguntam nada.

 

O homem atrás do bigode

é sério, simples e forte.

Quase não conversa.

Tem poucos, raros amigos

o homem atrás dos óculos e do bigode,

 

Meu Deus, por que me abandonaste

se sabias que eu não era Deus

se sabias que eu era fraco.

 

Mundo mundo vasto mundo,

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração.

 

Eu não devia te dizer

mas essa lua

mas esse conhaque

botam a gente comovido como o diabo.

 

INFÂNCIA

 

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.

Minha mãe ficava sentada cosendo.

Meu irmão pequeno dormia

Eu sozinho, menino entre mangueiras

lia história de Robinson Crusoé,

comprida história que não acaba mais.

 

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu

a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu

chamava para o café.

café preto que nem a preta velha

café gostoso

café bom

 

Minha mãe ficava sentada cosendo

olhando para mim:

- Psiu... não corde o menino.

Para o berço onde pousou um mosquito

E dava um suspiro... que fundo !

 

Lá longe meu pai campeava

no mato sem fim da fazenda.

 

E eu não sabia que minha história

era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

 

 

Vinícius de Moraes (1913 – 1980)

 

- Graduou-se em Direito

- Crítico, censor cinematográfico, jornalista e diplomata.

 

Algumas obras (poesia):

 

- Novos Poemas

- Elegias

- Pátria Minha

 

Temas: matéria vs. espírito; amor; desejo; cotidiano; questões políticas.

 

SONETO DE FIDELIDADE

São Paulo , 1946

De tudo, ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

 

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento.

 

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

 

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

 

Estoril, outubro de 1939

 

 

A ROSA DE HIROXIMA

 

Rio de Janeiro , 1954

Pensem nas crianças

Mudas telepáticas

Pensem nas meninas

Cegas inexatas

Pensem nas mulheres

Rotas alteradas

Pensem nas feridas

Como rosas cálidas

Mas oh não se esqueçam

Da rosa da rosa

Da rosa de Hiroxima

A rosa hereditária

A rosa radioativa

Estúpida e inválida

A rosa com cirrose

A antirrosa atômica

Sem cor sem perfume

Sem rosa sem nada.

 

 

Cecília Meireles (1901 – 1964)

 

- Rio de Janeiro

- Professora, escritora e jornalista

- Escreve ensaios, antologias, biografias, literatura infantil e adulta

 

Algumas obras:

- Mar Absoluto

- Romanceiro da Inconfidência

- Canções

- Giroflé, Giroflá

- Ou isto ou aquilo

 

RETRATO

 

Eu não tinha este rosto de hoje,

Assim calmo, assim triste, assim magro,

Nem estes olhos tão vazios,

Nem o lábio amargo.

 

Eu não tinha estas mãos sem força,

Tão paradas e frias e mortas;

Eu não tinha este coração

Que nem se mostra.

 

Eu não dei por esta mudança,

Tão simples, tão certa, tão fácil:

- Em que espelho ficou perdida

A minha face?

 

MOTIVO

 

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.

 

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.

 

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

- não sei, não sei. Não sei se fico

 ou passo.

 

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

- mais nada.

 

 

Liberdade essa palavra, que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique, e não há ninguém que não entenda.

("Romanceiro da Inconfidência)

4 de nov. de 2019

TEMA ENEM 2019: MODELO - DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO AO CINEMA NO BRASIL

Cinema em Transe

No clássico filme brasileiro "Tapete Vermelho", uma homenagem à imortal obra cinematográfica de Mazzaropi, o personagem principal, um estereótipo de Jeca, esforça-se em uma longa viagem para levar o filho a um cinema para conhecer os grandes filmes de sua época. Apesar disso, é cada vez mais frustrado, encontrando as salas todas fechadas, abandonadas ou alugadas a igrejas neo-pentecostais. Essa obra, embora cômica e ficcional, denuncia uma realidade bastante preocupante no Brasil: a precarização do acesso aos espaços voltados à chamada sétima arte.

Ainda que pesem argumentos em defesa de que as plataformas digitais de filmes, como Netflix e outras, e mesmo a televisão, já desempenhem um papel equivalente ao do cinema, ao democratizar o acesso a produtos culturais diversos como animações, séries nacionais e estrangeiras, é forçoso lembrar que o cinema, assim como o teatro, consiste em uma cultura além da mera apresentação de enredos, sendo, em verdade, evento e prática cultural, além de poderoso agregador econômico.

Desse modo, as salas de exposição funcionam como templos destinados a reunir pessoas, de maneira a fazê-las compartilhar de instantes de entretenimento, mas também de diálogo crítico em função da abertura que filmes e documentários fornecem à percepção mais ampla de mundo. Assim, um filme comovente como "Central do Brasil" e um documentário como "O dia que durou 21 anos" - sobre os anos de chumbo da ditadura militar - podem fornecer ao espectador uma nova e enriquecedora forma de entender as mazelas, a história e sua própria identidade como brasileiro.

É imprescindível, portanto, que a cultura do cinema chegue aos mais remotos cantos do país e seja reavivada nas pequenas cidades onde já existiu. Para tanto, o Ministério e as secretarias municipais de cultura devem investir na construção de salas e centros culturais, fomentando eventos com filmes, peças e discussões sobre as mais diversas temáticas abordadas nessa área. Somado a isso, a Ancine, contando com maiores investimentos, pode incentivar a produção cinematográfica nacional já tão aclamada mundialmente. Por fim, nas escolas, o cinema e sua história podem ser estudados nas aulas de Artes de modo a que se possa tecer um belo tapete vermelho para o futuro da cultura e das grandes telas no Brasil.

10 de abr. de 2019

2019 MODELO ENEM: MORADIA

MODELO PARA PROPOSTA DO SIMULADO DO POLIEDRO


“O primeiro que, ao cercar um terreno, teve a audácia de dizer - Isto é meu! - e encontrou gente simples o bastante para acreditar nele foi o verdadeiro fundador da sociedade civil.” Com essas palavras, o renomado filósofo iluminista Rousseau, já no século XVIII, problematizou a invenção da propriedade e relacionou-a à inconteste desigualdade social predominante entre os seres humanos. Infelizmente, na contemporaneidade, não se pode afirmar que ele estivesse errado. Aliás, no Brasil, por exemplo, a relação entre desigualdade social e índice de miserabilidade está associada tanto à falta como à precariedade em condições de habitação.

Justamente por conta dessa problemática, embora sejam questionadas certas práticas e legitimidade desses grupos, é que parte da sociedade civil organizou-se em movimentos como o dos Sem Terra e dos Sem Teto, respectivamente nos contextos rural e urbano. O primeiro, reivindicando a posse de propriedades rurais não produtivas, concomitantemente para habitação e usufruto de subsistência, enquanto, no segundo caso, reivindica-se, principalmente em grandes conurbações, acesso a imóveis desabitados e abandonados, com localização e infraestrutura para serem disponibilizados como habitações populares baratas.

Em uma terceira via, como política governamental, por mais de uma década, popularizou-se o programa “Minha Casa, Minha Vida”, que ao mesmo tempo entregou milhares de casas e fez parte de esquemas de corrupção que inviabilizaram a entrega de tantas outras. Assim, percebe-se a complexidade da questão, seja na esfera de Política de Estado como nos movimentos sociais, em que há conflitos com a legislação, como no caso do direito alheio à propriedade e a manipulação desses movimentos por conta de líderes demagogos. Não fosse o bastante, no cerne da questão, encontra-se o problema econômico e a má distribuição de renda.

Sendo assim, é preciso que políticas como o “Minha Casa, Minha Vida” sejam ampliadas, porém auditadas e fiscalizadas, enquanto as reivindicações dos movimentos sociais em questão sejam também analisadas, fiscalizadas e atendidas dentro de sua legitimidade. Vale lembrar que situações semelhantes foram vividas na Europa Ocidental do pós-guerra, de modo que a habitação com infraestrutura básica e digna já se tornou realidade nesses países. Para tanto, é importante a mobilização do Ministério das Cidades, das secretarias municipais de planejamento e obras e do esforço governamental para inclusão máxima de sua população em atividades econômicas dignas.

25 de mar. de 2019

MODELOS ENEM: FEMINICÍDIO


MODELO DE ESTILO ENEM: FEMINICÍDIO

TEMA: “Transformar em crime hediondo reduzirá os números de homicídio contra mulher ou estamos diante de mais uma lei simbólica, eleitoreira e populista?”



Até a demagogia é um avanço

Milhares de mulheres fizeram fila para denunciar seus abusadores quando, na década de 1980, no Rio de Janeiro e em São Paulo, abriram-se as portas das primeiras delegacias da mulher. Com base na então recém-criada Constituição Cidadã, essas herdeiras históricas dos aspectos mais terríveis do machismo, estimuladas pela mídia - que assumira com engajamento a pauta do empoderamento feminino - encontraram, infelizmente, uma de suas grandes derrotas morais logo no primeiro momento em que uma lei parecia favorecê-las de fato. Isso porque a legislação que facilitava a denúncia não promovia real proteção à mulher nem tampouco a punição ao agressor.

Desse modo, a criação de delegacia especializada, contrariamente ao que se alardeara pelo governo e pela imprensa, só serviu de início para atiçar a ira de agressores contumazes que, uma vez delatados, reiteraram espancamentos ou até mataram suas vítimas. Os boletins de ocorrência, assim, não tinham efeito inibidor, nem as ordens de prisão tinham poder coercitivo sobre o comportamento desses homens. A dura lição foi aprendida: o que a pena escreve nada vale diante de uma realidade complexa e violenta. 

Contudo, apesar do despreparo governamental, midiático ou da pura e simples demagogia desses mesmos setores da sociedade, a discussão ganhou espaço. Assim, foi exatamente por conta desse arcabouço de erros e acertos que já é possível contar com a Lei Maria da Penha e do Feminicídio. Não obstante, convém ressaltar que a mera letra não resolve, e a lição de outrora não pode ser esquecida. Naturalmente, quando governantes votam em favor de uma legislação como essa, o ato com frequência reverte-se em capital eleitoral, ou seja, votos. É ainda válido recordar que o discurso populista prima por se apoderar de anseios coletivos, mas que, sobretudo, quando a pauta ganha força na imprensa, a discussão é fomentada de modo a facilitar a pressão de movimentos sociais e conscientização da sociedade a respeito do tema.

Portanto, o momento atual, no qual a presente lei entra em vigor, revela-se como importante oportunidade para que temas como violência doméstica, a controversa cultura do estupro, comportamentos, costumes e valores que regem a sociedade em seus mais variados âmbitos sejam discutidos. Para tanto, é imprescindível haver a mobilização dos meios de comunicação, da sociedade civil organizada, das universidades, escolas, hospitais, delegacias e da jurisprudência, de preferência orquestrados por seus ministérios e secretarias, a fim de que os instrumentos tanto de prevenção como de aplicação da lei se consolidem em favor de quem realmente precisa: a mulher.











MODELO ESTILO ENEM: COMBATE AO FEMINICÍDIO


Redenção de Eva

Em nossa cultura de matriz judaico-cristã, é comum testemunharmos comportamentos machistas que se assentam simbolicamente sobre o princípio do que se convencionou chamar Estigma de Eva. Isso porque, conforme interpretação ainda não superada do mito bíblico, assim como Eva, a mulher costuma adquirir socialmente papel subalterno ao do homem, tendo sua existência associada à necessidade de autossacrifício e resiliência frente à dor. Eva, nesse sentido, foi criada para amainar a angústia de Adão – ou seja, servi-lo -, devendo mais tarde pagar com as dores do parto sua falta com Deus e com o companheiro.

Infelizmente, essa analogia está muito longe de ser superada, mesmo porque hoje se sabe que, no Brasil, os maiores índices de mulheres resilientes à violência doméstica – algo diretamente relacionado a feminicídio – constatam nesse perfil a preponderância de mulheres evangélicas que, ao recorrer à orientação de seus pastores frente a atos violentos de seus maridos, são desencorajadas a denunciar os cônjuges como também a se separarem deles. São, lamentavelmente, exortadas à abnegação em nome de uma recompensa futura, o que somente serve para perpetuar o comportamento criminoso de seus companheiros tanto em casa como na própria cultura que permeia nossa sociedade.

Contudo, esse mal não está presente apenas nos meios sob influência religiosa. De modo geral, também conforme recentes dados do Ipea, existe uma tendência do brasileiro, até entre mulheres, de culpabilizar vítimas de estupro e tolerar violências simbólicas contra pessoas do sexo feminino. Não menos preocupante é o fato de que, até mesmo entre governantes, classe supostamente mais esclarecida, há resistência ao uso do termo feminicídio e à lei que instituí crime hediondo nos casos em que se constata que a vítima foi morta basicamente pelo fato de ser mulher.

Por esse motivo, ainda é urgente que o tema ganhe ampla discussão na mídia, nas escolas, nos hospitais, nas forças policiais e nos ambientes jurídicos, a fim de que a perspectiva da mulher como vítima da violência seja contemplada e atendida de forma ao mesmo tempo preventiva e concreta para que haja real punição de seus agressores. Para tanto, é essencial os esforços dos ministérios e secretarias que tratam da questão da mulher e dos direitos humanos, da saúde e da segurança pública. É importante ainda haver a mobilização do governo em campanhas nacionais de informação e sensibilização da sociedade, a fim de que as milhões de Evas encontrem seu direito humano à real redenção.


QUIZ: POR QUE OU POR QUÊ?

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